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Diplomas machistas

quarta-feira, setembro 24, 2008

Sufragistas americanas: vocês esqueceram a flexão no diploma!

Reforma política? Desoneração fiscal?

Não. Existem coisas mais urgentes. Você, mulher, se sentiu pouco feminina ao pegar seu diploma? Pois é, estava escrito “advogado”, assim mesmo, naquele espaço que informa qual é sua nova profissão. Você, mulher, achou que o diploma era uma conquista, algo que a diferenciava de sua avó condenada desde cedo à escravidão na cozinha e sua linha de montagem de negas malucas, mas o “advogado” denunciou que você só tinha caído em mais uma armadilha dos porcos chauvinistas, fazendo você se sentir uma mera reprodutora da era vitoriana.

Calma, não é preciso queimar sutiãs e desenterrar Betty Friedan, um projeto de lei em discussão no senado quer determinar “o emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas”.  A autora do projeto, a senadorA Serys Slhessarenko (PT-MT), justifica a medida (só mesmo os porcos chauvinistas precisam de uma justificativa) porque “muitas instituições de ensino continuam a emitir seus diplomas, para todos, indistintamente, na flexão masculina, como se as profissões fossem designadas sempre por substantivos comuns para os dois gêneros”. E segue: “Ao contrário do que fazem os consultórios, os escritórios, as repartições públicas etc”.

O melhor de tudo é que a lei será estendida (“baseado no senso de justiça”) para os diplomas antigos – e gratuitamente ainda por cima. Basta você, mulher, exigir.

Mas e se você, mulher, for membro(a) do Corpo de Bombeiros ou da Polícia Militar? “Capitão” (você chegou lá, garota!) é algo tão feminino quanto levantar a tampa do vaso. Calma, um projeto de lei similar está em discussão na Assembléia Legislativa do Paraná, essa Berkeley das araucárias. Pretende que “a flexão do gênero deverá estar em consonância com o sexo do candidato ou ocupante do cargo eletivo, assim como nas designações de patentes, postos e graduações dos militares e do Corpo de Bombeiros”. O autor é o deputado Luiz Carlos Martins (PDT), que apresentou o projeto a pedido do escritor Albino de Brito Freire (num esforço conjunto para combater a obrigação genética e cultural que faz os homens se comportarem como patres famílias).

Além disso, “o projeto representará a normatização da nomenclatura dos cargos públicos”.

Ainda é pouco.