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Trama Internacional

terça-feira, julho 21, 2009

Trama InternacionalUm banco que mata pessoas. Como é podre o capitalismo. Você já viu a empresa que mata pessoas (“O Jardineiro Fiel”, “Ameaça Virtual”) e até o escritório de advocacia que responde à bala (“A Firma”, “Conduta de Risco”). Agora são os grandes bancos. Não bastam as maracutaias financeiras de sempre, “Eles querem o controle de tudo”, diz um personagem de “Trama Internacional” (2008) sobre o banco do filme, O IBBC. E, de fato, esse é um banco muito, muito mau.

Baseado em parte no escândalo do extinto BCCI, um banco paquistanês que lavava dinheiro de terroristas e traficantes, “Trama Internacional” mostra os esforços de uma agente da Interpol (Clive Owen) e de uma promotora de Nova York (Naomi Watts) para deter uma instituição financeira que quer controlar as guerras do Terceiro Mundo.

Anti-capitalist posterAlém desse plano digno de um episódio do Agente 86 (ou de um filme da série “Austin Powers”), o filme conta com diálogos que parecem ter saído de uma ópera de madame Mao ou de uma velha peça de Bertolt Brecht. “Você pode me matar, mas outros cem vão tomar meu lugar, e você sabe disso”, diz o banqueiro malvado, antes de levar um tiro. “Não comemorem a morte da besta, homens; a cadela que lhe deu a luz está no cio novamente”, poderia ter dito em seguida o personagem de Clive Owen.

E como matar essa cadela? Não é com CPIs e trabalho burocrático, mas com muitos tiros e socos. Um tiroteio no museu Guggenheim de Nova York toma 14 minutos do filme. É talvez a única seqüência interessante, mas deixa uma sensação de que tudo não passa de uma cópia rasteira da série “Jason Bourne”. O plágio parece ainda mais gritante porque, como na série estrelada por Matt Damon, “Trama” também tem uma queda pelo “circuito Elizabeth Arden”. Clive Owen passa por Berlin, Nova York, Milão, Lyon e Istambul – parece até um daqueles letreiros jecas de joalherias.

Não há nada errado em escolher símbolos do capitalismo como vilões. O tema já rendeu o excelente “Robocop”, de Paul Verhoeven, um filme que soube abusar do caricatural para falar de violência, privatizações e planos mirabolantes de combate ao crime. Mas o diretor de “Trama”, o alemão Tom Tykwer, responsável pelo superestimado “Corra, Lola, Corra”, não é nenhum Verhoeven. E seu IBBC não é nenhuma OCP.