Posts Tagged ‘Nazismo’

O Leitor

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Mais um filme sobre o holocausto…”, seria apropriado dizer. Um tema já explorado ao extremo e que raramente resulta em boas surpresas – “O Pianista”, de 2002, foi a última –, ganha o que seria um novo olhar com “O Leitor”, atualmente em cartaz.

Um “novo olhar” porque esse filme propõe examinar o ponto de vista alemão do holocausto, a estranha convivência com assassinos no pós-guerra e o conhecido tema da “banalidade do mal”, em que os criminosos não se dão conta da brutalidade de seus atos e os justificam com a desculpa de que eram meramente parte de uma imensa engrenagem burocrática – “eu apenas cumpria ordens” deve ser uma das expressões alemãs mais famosas.

Alemanha, 1958, num dia chuvoso, o jovem Michael (David Kross), de 15 anos, está voltando para casa e começa a sentir mal. É acudido por uma mulher de trinta e tantos anos (Kate Winslet) que o acompanha até perto de sua casa. Passam-se alguns meses e Michael está melhor, pronto para visitar e agradecer a mulher que o acudiu. Uma cena de sedução depois, começa entre os dois um relacionamento sexual. Hanna também gosta que Michael leia para ela, de livros infantis a clássicos antigos. Certo dia, Hanna some da vida de Michael.

Anos depois, Michael, já um estudante de direito, é convidado por seu professor (Bruno Ganz) a acompanhar um julgamento. Para a surpresa de Michael, é Hanna, junto com outras mulheres, que está sentada no banco dos réus. A acusação: ter sido guarda de um campo de extermínio na Segunda Guerra.

“O Leitor” foi baseado na obra homônima do escritor alemão Bernhard Schlink. O livro ganhou notoriedade quando foi indicado pela influente apresentadora americana Oprah Winfrey em seu “Clube do Livro”. No Brasil foi publicado há dez anos pela Nova Fronteira, agora ganha uma nova edição pela Record (R$ 29).

Infelizmente, “O Leitor” é mais um filme burocrático, morno e previsível sobre o holocausto.

Não se pode culpar inteiramente o diretor Stephen Daldry (“As Horas”, “Billy Elliot”) pelo resultado. O próprio livro de Schlink não era lá grande coisa, mas Daldry leva seu filme de maneira previsível, abusando de alguns recursos (o filme está repleto de música dramática e inúteis recursos de sobreposição de imagens). A fragilidade da coisa toda fica óbvia quando é perceptível que Daldry preparou com satisfação – e com direito a flashbacks (é “Os Suspeitos” sempre fazendo escola) – uma surpresa que todos já haviam percebido no começo do filme

Para piorar, os atores não fazem melhor. Kate Winslet foi indicada ao Oscar por seu papel, mas ele o interpreta tão burocraticamente que mesmo suas cenas de nudez têm pouco apelo – o que é imperdoável para alguém que tem um belo corpo. Mas o pior mesmo fica com o Michael mais velho, interpretado pelo sempre soporífero Ralph Fiennes. São dele algumas das piores cenas do filme, incluindo um desnecessário momento de “eu vou te contar uma história”

Mais grave, porém, são os problemas morais do filme.

Não é necessário ir tão longe como o escritor Ron Rosenbaum – autor do excelente “Explaining Hitler”, traduzido no Brasil com o inacreditável título de “Para entender Hitler” (Record) – que acusou o filme de sugerir que “lack of reading skills is more disgraceful than listening in bovine silence to the screams of 300 people as they are burned to death”.

O próprio livro é problemático. Ao usar a deficiência de Hanna como uma metáfora óbvia para a ignorância, Schlink passa para o leitor a idéia de que muitos assassinos foram empurrados para a máquina do holocausto pelo destino ou por motivos compreensíveis. Perguntar a alguém “O que você faria?”, como o filme e o livro fazem, e esperar um “Não sei” ou simples silêncio como resposta é repugnante.

Rosenbaum acertou em cheio quando disse que “não precisamos de mais um filme redentor sobre o holocausto”.

Para piorar, um filme que propagandeia as maravilhas da leitura.

“Sprechen sie talk?”

É conhecida a visão dos chefões de estúdio de que os americanos não gostam de ler legendas. Essa filosofia muitas vezes resulta em cenas engraçadas em que personagens estrangeiros falam alguma frase introdutória em uma língua qualquer para logo continuar o diálogo ou monólogo na língua do Dr. Johnson. Também acontece de os personagens forçarem um sotaque na língua que supostamente estariam falando. Assim não é incomum assistir a russos que falam entre si com sotaques pavorosos – famoso é o caso de Sean Connery, que usou o mesmo sotaque em “Os Intocáveis”, ao interpretar um irlandês, e em “A Caçada ao Outubro Vermelho”, ao vestir um uniforme russo.

Mas “O Leitor” inaugurou uma categoria totalmente nova na salada lingüística hollywoodiana: a leitura de textos em inglês por estrangeiros em seus respectivos países. Qual não é a surpresa observar que Michael, ao ler para Hanna, está segurando um livro em que se pode ler “The Adventures of Huckleberry Finn” em bom inglês! Recurso para facilitar a vida dos atores que devem entregar suas falas em inglês? As estantes de livros que aparecem ao longo também estão repletas de títulos em inglês… e publicados por editoras americanas. A escolha por facilitar a vida do espectador não familiarizado com alemão fica ainda mais cômica quando Hanna se alfabetiza e passa a escrever cartas em… inglês!

Pode ser um mero detalhe técnico, que para muitos não chega a influenciar, mas lembra aqueles filmes americanos deliciosamente toscos rodados no Brasil em que o merchandising aparece na forma de outdoors em inglês – quem assistiu “007 Contra o Foguete da Morte” deve saber do que estou falando.

O próprio Schlink insistiu para que o filme fosse rodado em inglês, justificando que a história da convivência numa sociedade pós-genocídio era universal – claro que a promoção inevitável de um filme americano nas vendas do seu livro também deve ter sido bem-vinda.

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“It’s an opera”

sexta-feira, julho 25, 2008

Três membros da “famiglia” Wagner, senhores do Festival de Bayreuth

A ópera não é  considerada o gênero musical predileto de multidões. Mas o Festival de Bayreuth, que começa hoje, tem um público de causar inveja a qualquer artista, não importando o tipo de música que toque. Na sua 97° edição, o festival, que dura um mês, vai receber quase 60 mil apreciadores das obras do compositor alemão Richard Wagner. E esses cerca de 60 mil são considerados “sortudos”, já que o festival é disputadíssimo e conseguir um ingresso pode exigir anos na lista de espera. Quase 500 mil pessoas tentaram, em vão, comprar ingressos para esta edição.

Mas pessoas famosas e autoridades não precisam se preocupar em conseguir ingressos. Para eles, a organização do festival estende, literalmente, um tapete vermelho – a chanceler alemã, Angela Merkel, por exemplo, há anos freqüenta o festival.

Para os organizadores, afagar quem está no poder não é apenas um sinal de vaidade – e vaidade é o que não falta no festival -, mas uma questão de sobrevivência. Como qualquer festival de ópera, Bayreuth dá prejuízo, mesmo com um público cativo. É o Estado Alemão que cobre a diferença injetando 17 milhões de euros anuais – uma quantia considerada baixa para os padrões europeus.

O subsídio é tão Bayreuth quanto “Siegfried”. Uma tradição que começou com o fundador, o compositor romântico Richard Wagner. Com uma carreira cheia de altos e baixos até 1864, e no ostracismo por causa da sua vida privada escandalosa, Wagner teve a sorte de cair nas graças de um admirador poderoso: o jovem rei da Baviera Ludwig II, considerado um louco. Ludwig serviu de mecenas para Wagner, financiando generosamente suas obras posteriores e a construção de um teatro na pequena cidade de Bayreuth, exclusivamente para a encenação das obras do compositor. Foi um sucesso. O festival logo se tornou um evento para gente importante – até mesmo o nosso imperador D. Pedro II deu as caras. Nietzsche, obviamente, também era uma presença assídua.

Após a morte do compositor, em 1883, o teatro e o festival passaram a ser administrados pelos descendentes de Richard.

Num caso raro de continuidade, a família Wagner controla a organização do festival até hoje. Como um feudo, não é um negócio tocado com discrição. Os jornais alemães estão repletos de histórias sobre brigas entre membros da família. Atualmente é Wolfgang Wagner, neto de Richard e bisneto de Franz Liszt, que organiza o festival.

Nazismo e mudanças

Wagner não é nem um pouco popular em Israel. Suas óperas repletas de elementos do folclore germânico são consideradas por alguns a trilha sonora do Holocausto. Nos primeiros anos de poder, Hitler era um freqüentador assíduo do festival. Chegou a aumentar o subsídio que o teatro recebia do governo. Por anos, o relacionamento que matinha com Winifred Wagner, filha de Richard, foi alvo de especulação – suspeitava-se que ela fosse sua amante. O festival floresceu nos tempos de Hitler e, por estranho que pareça, foi durante o nazismo que aconteceram as primeiras mudanças depois da morte de Richard. Até então, todas as óperas eram encenadas com os mesmos cenários do século 19. Alguns tradicionalistas, incluindo o maestro Arturo Toscanini e o compositor Richard Strauss, protestaram.

Albert Speer, ministro e um dos favoritos de Hitler, contou em suas memórias que na esperança de agradar ao führer, muitos nazistas compareciam ao festival. Mas a duração de óperas como “Parsifal”, que tem mais de cinco horas (!), levava muitos desses nazistas de baixo  clero, mais habituados a quebrar crânios de comunistas nos tempos de freikorps, ao sono – para desgosto de Hitler.

Hitler nunca mais pôs os pés em Bayreuth depois de 1939, mas ele sempre foi uma sombra no festival. Até hoje a filha do marechal fanfarrão de Hitler, Hermann Göring, um grande amigo da família, recebe ingressos gratuitos. (História curiosa: poucos antes de sua morte, o filho de Rudolf Hess, Wolf Rüdiger, soube que a filha de Göring recebia ingressos. Reclamou. Desde então, também passou a ter entrada livre.)

Durante a guerra, boa parte da cidade foi destruída, o teatro, porém, ficou relativamente intacto. Mas foi só em 1951 que o festival recomeçou. Winifred foi banida pelos americanos por ser considerada uma nazista incorrigível. Mas o negócio não deixou de ser familiar, e a organização e a direção passaram para seus filhos, Wolfgang e Wieland.

Assumindo a direção, Wieland revolucionou o festival nos primeiros anos. Despindo as obras de seu caráter nacionalista, ele buscou um apelo mais universal. Também trocou os elaborados cenários tradicionais por outros com elementos mais modernos e simples. Muitos críticos acusaram as mudanças de serem uma traição aos ideais germânicos – lembrando em muito os nazistas e sua perseguição à “arte degenerada”. O público, por sua vez, vaiou.

Wieland se defendeu como pôde, mas sua morte prematura em 1966 abriu caminho para seu irmão Wolfgang, considerado menos brilhante. (Com o tempo, vários críticos reconheceram que a abordagem de Wieland era ideal.) Mais tradicionalista que seu irmão, Wolfgang reverteu todas as mudanças e se voltou para a abordagem pré-guerra. Espantou as vaias, mas os críticos começaram a achar que o festival estava engessado demais. O seu reinado já começou a ser contestado no começo da década de 70. Wolfgang então resolveu criar a “Oficina de Bayreuth”, convidando diretores de outras óperas e até mesmo do cinema para mostrarem suas abordagens da obra de Wagner. Wolfgang ficou responsável apenas pela administração do festival. Mas em 1973, por pressão do governo da Baviera e por brigas com outros Wagners, ele teve que entregar parte do poder. Foi criada a Fundação Richard Wagner, com outros membros da família e algumas figuras públicas. Porém, Wolfgang, um sobrevivente nato, continuou na chefia.

Há anos sofrendo pressão para se aposentar, ele finalmente entregou os pontos este ano, aos 89 anos, em parte por causa de sua saúde debilitada. Esta edição é a última sob seu comando.

É o fim da era Wolgang, mas a família Wagner continua. Duas Wagners estão sendo cogitadas como sucessoras. Eva e Katharina, filhas de Wolfgang e bisnetas de Richard. Elas já estão brigando pelo cargo. Os Wagners são mesmo personagens de opereta.

Flughafen Tempelhof

sexta-feira, maio 30, 2008

Em tempos de apagão aéreo, overbooking e filas intermináveis é difícil imaginar que voar já foi um sinal de status e um sinônimo de luxo. Um ícone dessa era, e um epaço que poderia resumir boa parte da história do século 20, o aeroporto de Tempelhof, em Berlin, teve seu destino selado. Na contramão do Brasil, que insiste e até promove aeroportos como o sobrecarregado Congonhas, mas também beneficiado por uma malha ferroviária das mais eficientes, as autoridades de Berlin decidiram fechar o histórico aeroporto da cidade, que se tornou pouco prático para atender aeronaves cada vez maiores e ficou ilhado no meio da expansão urbana. Nos últimos meses um grupo de cidadãos contra o fechamento se organizou e pediu um plebiscito, mas a apatia dos eleitores (eram necessários 25% dos votos), que não se incomodaram em sair de casa, não conseguiu mudar a decisão. Tempelhof fecha em outubro.

É uma decisão triste, mas talvez necessária. Nos tempos do Muro, Berlin era servida por quatro aeroportos – tudo em duplicata por causa da divisão da cidade. Com Tempelhof também se aposenta o aeroporto de Tegel, construído pelos americanos – o aeroporto em que meu avô levou meu pai para assistir à interminável fila de C-47s que traziam comida para a cidade durante o Bloqueio de Berlin, em 1948; um belo espetáculo para uma criança de sete anos. Tegel fecha em 2011. Todos os vôos vão ser concentrados em Berlin-Schönefeld, o aeroporto que servia a antiga parte oriental da cidade, bem afastado do centro. A expansão de Schönefeld está sendo vista com entusiasmo, já que o aeroporto vai criar 40 mil empregos numa área onde a taxa de desemprego é bastante alta. A estimativa é que a partir de 2011 aeroporto vai atender 25 milhões de passageiros por ano.

Um prédio na história

Mais que um aeroporto, Tempelhof é como um museu, mas não no sentido de repositório de objetos: cada parede e metro da pista contam uma história diferente. O exemplo mais próximo seria o carioca Santos-Dumont, ainda que mais pela beleza do que significado histórico. Seu edifício principal é enorme: é listado como o 18° maior prédio do mundo, sua fachada tem 1.230 metros de comprimento. Uma construção imponente em art déco, erguida entre os anos de 1936 e 1941 por Ernst Sagebiel, que pretendia impressionar os visitantes e transformar o aeroporto em símbolo daquela que se acreditava ser a nova capital de uma Europa dominada pelos nazistas. Sagebiel também é autor da antiga sede da Luftwaffe nazista na cidade, prédio atualmente ocupado pelo Ministério das Finanças.

Sonhos delirantes. O edifício foi bastante castigado durante os bombardeios da Segunda Guerra, várias partes do aeroporto também nunca foram completadas, e posteriormente ele acabou sofrendo várias alterações feitas pelos americanos, que assumiram o local depois da divisão da cidade. O imponente hall de entrada teve sua altura de três andares reduzida e foi instalada um base militar da USAF no local. Nos anos da Guerra Fria, Tempelhof foi um aeroporto misto, recebendo aeronaves militares e vôos comerciais. Na década de 70, com os aviões ficando cada vez maiores, grandes companhias como a Pan Am e a British Airways transferiram suas atividades para Tegel. Com o fim da Guerra Fria, em 1994 a USAF entregou suas instalações para o governo alemão. Com cada vez menos vôos (ano passado o aeroporto só atendeu 350 mil passageiros), Tempelhof foi definhando.

Mas a história de Tempelhof não começa com os nazistas e seus sonhos de grandeza. Tempelhof, como o nome diz, era um local pertencente à Ordem dos Cavaleiros Templários. Embora não tenha sido usado militarmente na Segunda Guerra, por séculos o campo de Tempelhof foi associado com essas atividades. Era lá que os soldados do exército prussiano faziam exercícios militares e, durante o II Reich, era comum ver o kaiser assistindo demonstrações no local.

Os vôos começam em 1909, com o francês Armand Zipfel, seguido justamente por um dos pais da aviação, Orville Wright, que conseguiu voar por um minuto num vôo de demonstração. Em 1926, foi construído o primeiro terminal, que logo abrigou a Lufthansa. Aviões ofereciam vôos para a Suíça. Zeppelins, invenção sempre identificada com os alemães, passaram a usar o aeroporto. Os nazistas derrubaram o velho terminal, e o atual aeroporto é um dos poucos exemplos do que sobrou do seu regime.

Aquele que já foi um dos aeroportos mais movimentados do mundo, Tempelhof também foi cenário de vários filmes. Em “Indiana Jones e a Última Cruzada”, o personagem de Harrison Ford embarcava escondido num zeppelin que decolava (esse termo se aplica aos zeppelins?) do aeroporto. O terminal principal também pode ser visto em “One, Two, Three” (“Cupido não tem bandeira”, no Brasil), de Billy Wilder, e “A Supremacia Bourne”.

O destino de Tempelhof ainda é incerto. A construção é tombada pelo Patrimônio Histórico da cidade, mudanças drásticas não podem ser feitas. Algumas companhias cinematográficas alemãs mostraram interesse em transformar o local em um estúdio. O Museu Aliado da cidade também já manifestou que pretende assumir Tempelhof. A única certeza é que a era da aviação na”mãe de todos os aeroportos” – como classificou o arquiteto Normam Foster – terminou.

Obs: na terça-feira (27 de maio) foi celebrado os 60 anos da Ponte Aérea de Berlin na abertura do Festival Aéreo da cidade. Vários veteranos americanos participaram, incluindo Gail Halverson, o piloto que jogou chocolates do seu C-47 para as crianças berlinenses. A cerimônia principal foi realizada, ironicamente – ou com um mau gosto não intencional-, em Schönefeld.

“Are these the Nazis, Walter?”

quinta-feira, outubro 4, 2007

P.E.P.S.I. : Pay Every Penny to Save Israel

Pay every…”, o significado – que comprando Pepsi você ajuda os sionistas – saiu da boca de um ativista americano em entrevista a um documentário que passou ontem na HBO. Protocols of Zion, do jornalista judeu americano Marc Levin, é uma investigação pessoal sobre a influência que um livrinho escrito há mais de 100 anos ainda exerce na cabeça de muita gente. O livro – que recentemente também foi alvo de uma investigação contada no formato HQ, com o traço do saudoso Will Eisner -, é o mais celébre faux recheado de mentiras e ódio já publicado, Os Protocolos do Sábios do Sião. Também é uma fraude bem lucrativa, que faz a festa de editoras pouco respeitáveis. Inútil discutir o caráter do livro, trata-se do mais puro lixo, e o documentário, ainda bem, nem se preocupou em refutar o conteúdo, apenas deixou os crentes da grande conspiração sionista falarem suas besteiras. Que atirem no próprio pé.

Infelizmente, Protocols of Zion não é um bom documentário. O formato é um tanto confuso, não decidindo se ficava com capítulos que usavam como gancho trechos do livro, ou uma abordagem mais livre, que incluía passeios com o pai do documentarista. De qualquer forma, um dos méritos foi mostrar que as pretensas marchas “pela paz”, na moda com a Guerra do Iraque, camuflam todo tipo de pensamento distorcido, especialmente o anti-semita. A linha de “no blood for oil“, como mostrado, levava facilmente a “os judeus querem a guerra”, e coisas do gênero. Cenas de uma novela egípcia (é, novela), inspirada nos Protocolos, também foram exibidas – sim, não são só os livros brasileiros de má qualidade que são adaptados para a telinha… -, além de entrevistas com pessoas – algumas delas importantes no mundo árabe (um presidente, um reitor de universidade etc) – que acreditam e espalham aquela merda de que nenhum judeu foi trabalhar no WTC no dia 11 de setembro. Aqui em Curitiba, na livraria do Chain, que vende livros que poderiam muito bem se tornar os prediletos de muitos dos freqüentadores de cervejaria na Munique da década de 1920, alguns meses depois do atentado, vi na prateleira um livro específico sobre a questão dos judeus terem matado o serviço no dia do atentado. 11 de Setembro: o Waterloo de Israel, escrito pelo Grande Dragão da Klu Klux Klan, David Duke. Uma piece of junk, mas mostrou que não é só nos países árabes, com populações mais dispostas a acreditar nesse tipo de merda, que a mentira é difundida.

Idiotas que querem acreditar em conspiração sionista, que o homem nunca foi à Lua, que o lobby armamentista apertou o gatilho da arma que matou Kennedy, não são exatamente novidade, nem são novas as mentiras que difundem. Preocupante mesmo é, como já citei acima, que gente não exatamente desimportante acredite nesse tipo de coisa. Ou façam o jogo, como o canal de TV ZDF, equivalente da Globo na Alemanha, que recentemente, depois de exibir um documentário que especulava sobre a possibilidade do 11 de Setembro não ter sido obra de Bin Laden, fez uma pesquisa online com a pergunta “quem cometeu o atentado?”. As opções eram i) EUA, ii) Osama, iii) lobby armamentista, iv) Bush e v) governo americano. Judeus não constavam nas opções, mas o raciocínio estava lá.

Trechos do documentário Protocols of Zion estão disponíveis no YouTube. Link do trecho em que o tal ativista traduz o significado de Pepsi e, no meio de uma série de absurdos, afirma que Nova York é controlada pelos judeus. Sendo o prefeito Bloomberg e seu antecessor, “JEW-Liani”, as provas.

Obs: A Pepsi nem vende seu produto em Israel, mas de fato existe um refrigerante de cola que repassa “pennys” para um povo que vive na região do Oriente Médio. Se você pensou Coca-Cola, errou. É a Mecca-Cola, vendida somente na França, que destina 10% da grana obtida com a venda de cada latinha para as “causas palestinas”. “Não bebam de forma estúpida, bebam engajados!”, declara o site da empresa que engarrafa a bebida.

Eu prefiro Pepsi.

Nazistas vistos do céu

quinta-feira, setembro 27, 2007

A realidade é sempre mais curiosa ou absurda que qualquer ficção. A notícia da BBC, que um prédio miliitar nos EUA vai ser reformado porque lembra uma suástica, não deixa por menos. Graças ao Google Earth, a polêmica foi lançada. Coincidência, informou o comando da base sobre o formato. De qualquer forma, US$ 600 mil vão deixar a instalação de cara nova.

Em 2000, na Alemanha, a suástica foi causa de protestos quando a Reuters mostrou que numa floresta não muito longe de Berlim, toda primavera, árvores (“n° 1 , the larch”) com folhas mais claras formavam o símbolo nazista. Tinham sido plantadas por um admirador do regime, em 1937, sobreviveram ao período comunista e acabaram sendo derrubadas depois da matéria da Reuters.