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Die Brücke

quinta-feira, junho 12, 2008

Por motivos óbvios, a Alemanha não tem muita tradição em filmes de guerra. “Die Brücke”, de 1959, um filme não muito conhecido no Brasil, é, junto com “Das Boot”, uma exceção. Como não poderia deixar de ser, é um filme pacifista que denuncia a futilidade da guerra – “Nada de Novo no Front” vem imediatamente à mente.

Só alguém muito estúpido ou fanático (estou sendo redundante) poderia estar feliz em servir na Wehrmacht em abril de 1945. Mas é isso que acontece com um grupo de garotos de um vilarejo alemão ainda não muito afetado pela guerra. O falecido diretor Bernhard Wicki (que dirigiu as seqüências alemãs de “O Mais Longo dos Dias”) nos mostra como é o dia-a-dia desses garotos antes deles serem atirados nos horrores de um combate. Não é muito interessante, tirando uma ou outra cena sobre decepção ou pais temerosos com o destino de seus filhos, o cotidiano deles parece um tanto artificial nessa cidade sem refugiados e Juventude Hitlerista. É na véspera do combate e na luta em si que Wicki realmente consegue prender a atenção do espectador. E como ele consegue chocar. Os garotos recebem uma missão de vigiar a ponte local até a equipe de demolição chegar. Um incidente faz com que o sargento responsável, o único homem, esteja ausente. E assim os garotos resolvem lutar contra os americanos. Um a um eles vão morrendo.

Fanáticos por filmes de guerra devem adorar a cena da panzerfaust queimando o rosto de um civil, assim como a chocante morte de um G.I. americano, que fica com as tripas para fora ao ser baleado depois de implorar aos garotos (“kindergarten”) que voltem para casa. Tudo isso com uma qualidade impressionante para um filme do final dos anos 50. O ronco dos tanques americanos se aproximando é assustador, e um aviso que a guerra, em especial aquela guerra, é coisa para gente grande. Manter aquela ponte era coisa mais fútil que eles poderiam ter feito. Isso fica óbvio numa cena emblemática e bastante devastadora de um comboio de caminhões repletos de soldados feridos e desesperados passando pela ponte, e deixando os garotos para trás. Uma das melhores seqüências sobre o caos e futilidade que caracterizaram a Alemanha naqueles últimos dias da guerra.

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