Archive for the ‘Uncategorized’ Category

A lei de Pelé

sábado, fevereiro 28, 2009

Entrevista de Pelé à revista Veja (Edição 2102, 4/3):

“Ganhei dinheiro com palestras e publicidade depois que parei de jogar. Fiz muitos comerciais, mas nunca de bebida alcoólica, política, religião ou tabaco.”

Claro…

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“Das Runde muss ins Eckige”

quinta-feira, junho 26, 2008

Da comentarista da Record: “A Alemanha se torna letal quando ocupa vastos espaços [do campo]”

A Alemanha está na final da Eurocopa. Mas o resultado de 3 x 2 sobre os turcos não disfarçou o péssimo futebol dos alemães. Foram muitos passes errados, pouca marcação e um memorável frango do goleiro Lehmann. Sorte que a Turquia estava desfalcada, com nove jogadores suspensos ou contundidos. Mesmo assim, os turcos dominaram o começo da partida. Foi só final do primeiro tempo que a coragem e raça dos turcos começou a ser eclipsada pela inexperiência. Nesse jogo, coube aos alemães o papel de turcos que vencem a partida no final. Lahm marcou o terceiro gol da Alemanha aos 45 do segundo tempo.

Foi difícil acompanhar a partida pela televisão. O jogo foi na Basiléia, mas uma tempestade em Viena, de onde o sinal era transmitido, interrompeu a partida três vezes no segundo tempo. O segundo gol da Alemanha se perdeu nesses buracos. Lembrou o “missing reel” do filme “Planeta Terror”. Estranho que a rede Record não tivesse um repórter para telefonar do estádio e informar o que estava acontecendo.

Termos de motor de busca

terça-feira, maio 13, 2008

“Estes são os termos que as pessoas utilizarão para encontrar o seu blog”:

corrida de bigas
ilha francesa requião
fodas entre empregadas e patrões
fotos impressionantes da biopirataria
Armas de gostosas
os normais 3 temporada
russa gostosa
asmas gostosas
Contra o tabaco versos
napolião bonaparte (sua infansia)
gostosas russa
corrida de bigas
cuba terra da liberdade
estampa em camiseta são joão 2007

To Kill a Southern Lapwing

segunda-feira, maio 12, 2008

“L’oiseau mort ou Un enfant hésitant de toucher un oiseau dans la crainte qu’il ne soit mort“, de Jean-Baptiste Greuze (Museu do Louvre)

A cerveja não fez falta para apreciar a bela partida entre Coritiba e Palmeiras no Couto Pereira, tarde de domingo (11/05). A liminar que autorizava a venda de bebida, desafiando determinação da CBF, acabou cassada. Sobrou o jogo. Além dos gols de Hugo e Michael, destaque para a morte de um quero-quero, atingido em cheio pela bola no segundo tempo, e logo retirado pelo palmeirense Denílson.

A palavra é quero-quero:

Não há muita coisa interessante sobre os quero-queros (Vanellus chilensis) que não seja senso comum. São aves briguentas e extremamente territoriais. Nunca se empoleiram, preferindo campos abertos. A preferência por descampados faz o quero-quero disputar com os urubus o título de ave que mais oferece perigo à aviação civil.

São encontrados em quase todo o Brasil, mas são mais comuns no Sul. Os anglo-saxões o chamam de Southern Lapwing. Os espanhóis de Tero. São superprotetores com a cria. Uma das defesas é gritar de maneira insistente e levar os predadores para longe dos ovos. Na Argentina e Uruguai existe a expressão de recriminação “hacer como el tero“, gritar de um lado para proteger outro interesse – o uso mais comum é para criticar políticos. O quero-quero também é a ave símbolo do Uruguai, e adorna a camisa da seleção de rugby do país, conhecida como “Los Teros“.

Homenagem apropriada, o quero-quero é nome de estádio em Alvorada, Rio Grande do Sul. O “Morada dos Quero-Queros” do RS Futebol Clube.

Maiden in Brazil

segunda-feira, maio 12, 2008

O Iron Maiden foi o assunto do programa “Art of Life” na CNN – com destaque para os shows de São Paulo e Curitiba.

O programa, dividido em três partes, pode ser visto aqui.

“If you can’t stand the heat, get out of the kitchen”

sexta-feira, abril 18, 2008

Ramsay: “The French are so difficult. And they really do have bad breath. It’s disgusting. I had a French girlfriend. It was like going to bed with a rottweiler on your chest“.

Programas culinários são tão velhos quanto a televisão. Desde que “I Love to Eat”, considerado o primeiro programa do gênero, foi ao na NBC em 1946, incontáveis chefs comandaram atrações que não fugiam do velho esquema “um fogão e uma câmera”. Foi nesse formato que a franco-americana Julia Child e o alemão Clemens Wilmenrod se tornaram figuras familiares e ajudaram a tornar menos insossas as refeições em casa. Programas culinários sempre foram uma atração com produção barata, e muitos deles preenchiam horários considerados “mortos”, com a audiência restrita a donas-de-casa e desocupados.

Foi só décadas depois de “I love to Eat” que os chefs começaram a sair do estúdio e passaram a mostrar como escolher ingredientes no mercado local. Hoje, a velha senhora ou senhor deu lugar para gente mais jovem e espirituosa, e os programas culinários (seria até melhor chamá-los de gastronômicos) são comandados por chefs que viajam o mundo inteiro em busca de receitas e ingredientes e ensinam a preparar comidas pouco ortodoxas. O tal prato especial servido para a família em uma data especial foi substituído por refeições que são uma verdadeira experiência e incluem vinhos e condimentos raros. Algumas coisas permanecem intocadas. Um francês e uma panela ainda continuam sendo considerados sinal de sabedoria culinária – caso do simpático Claude Troisgros que apresenta um programa do GNT.

Um outro programa que à primeira vista pode ser considerado culinário vai além do prepraro de pratos. Comandado pelo desbocado escocês Gordon Ramsay, “Ramsay Kitchen Nightmares” propõe mostrar o que pode dar errado na cozinha de um restaurante e como a má administração leva ao afundamento do negócio. O formato é simples, o que só evidencia que não é preciso de pirotecnias exageradas para se produzir algo decente: Ramsay, um experiente e rico chef de cozinha, visita restaurantes que estão à beira de naufragar. No processo, ele mostra cozinheiros preguiçosos e sujos, outros que são arrogantes e incompetentes, donos que insistem no auto-engano e não sabem comandar seus funcionários. Depois aponta quais são os caminhos para sair do buraco, mas não antes de entrar em conflito com equipes agressivas e donos cabeça dura. O apresentador Gordon Ramsay por si só já é uma atração à parte: dificilmente deve ter existido um chef mais grosseiro e autoconfiante.

Há muita coisa de auto-ajuda e vários elementos podem ser vistos como lições bocós de administração pessoal, mas o aspecto documental da coisa, especialmente porque são problemas e pessoas reais, o dissociam da maioria dos deprimentes “reality shows”.

Ainda quero ver um programa que mostre a redação de um jornal decadente.

Obs: por falar em reality shows, Ramsay Kitchen Nightmares foi produzido pelo Channel 4 inglês. Digo “produzido” porque no final de 2007 o programa atravessou o Atlântico e passou a ser da FOX – a rede americana já produzia uma das séries de Ramsay, “Hell´s Kitchen”, um realitty show em que aspirantes a chef ralam e tentam sobreviver a Ramsay num restaurante de Los Angeles. O nome mudou para somente “Kitchen Nightmares”. Infelizmente, com essa transação, o ódio generalizado à cultura americana poderia fazer um pouco de sentido. O GNT ainda transmite os últimos episódios produzidos pelo Channel 4 (e que nos EUA iam ao ar pela BBC America), mas estão disponíveis no Youtube trechos da temporada americana. Se havia algo documental na série inglesa, tudo foi perdido numa edição mais apropriada ao programa “Cops”, com um narrador que ajuda a espremer até a última gota o conflito que não mais surge normalmente, mas é provocado artificialmente. Bate-bocas foram substituídos por violência física. Sugestões de reforma no espaço ganharam a estrutura de um “Extreme Makeover”, e cada bloco ganha uma retrospectiva do que aconteceu poucos minutos antes, como se o telespectador tivesse a memória de um peixe dourado. Pior ainda, a versão americana vem sendo acusada de inventar situações e falsificar os personagens. Parece até que o filme “Network” ganhou vida.

“Tantas escolhas em um dia”

sexta-feira, abril 11, 2008

Uma farmácia da rede Drogamed, abril de 2008.

“The play was a great success, but the audience was a disaster”

terça-feira, abril 1, 2008

Público recorde de 160 mil. Média de ocupação de 80% nos espaços. Os velhos problemas de sempre: peças canceladas, teatros inadequados, atrasos. Alguém não gostou do palavreado numa apresentação de rua e sacou uma arma (Hermann Göring teria gostado). Panelaço de 150 artistas pedindo mais apoio do governo (sua grana).

Acabou o 17° Festival de Teatro de Curitiba, ou Festival de Curitiba de agora em diante.

Alguns comentários de três peças que assisti. Alguns trechos dão a entender que as peças ainda estão em cartaz, ignorem isso.
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Aqueles Dois

20/03

A peça baseada no conto de Caio Fernando Abreu foi um dos destaques do festival. É difícil entender por quê. Um dos problemas da montagem do grupo mineiro Cia. Luna Lunera é o excesso de objetos e cenários no palco, não só por ser um espetáculo encenado no Teatro Paiol, uma sala apropriada para apresentações mais espartanas, mas porque revelavam logo de cara uma afetação e confusão que caracterizou quase todo a montagem. São caixas de madeira, cadeiras, aparelhos de som, várias máquinas de escrever e telefones num espaço pequeno demais. Vários conversas de trabalho dos personagens soam falsas (A CLT! A CLT!) e não muito elaboradas – os mineiros do Grupo Galpão foram mais competentes em adaptar histórias que careciam de diálogos em “Pequenos Milagres”. Referências a atores, filmes e cantores (River Phoenix, Sessão da Tarde), a maioria delas não presentes no conto, parecem fora de lugar. E Cazuza como trilha sonora é óbvio demais.

Embora o recurso de “duplicar” os dois personagens do conto, que na peça são interpretados por quatro atores (Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves e Rômulo Braga), algo que lembra o filme “Doze Homens e uma Sentença”, seja original e deixe o espetáculo mais dinâmico, assim como os papéis serem trocados a todo momento, com os quatro interpretando tanto Saul e Raul, os dois personagens, a impressão inicial, agravada por um primeiro ato cansativo que pretendia mostrar a rotina de escritório, é de incompreensão. E não é uma incompreensão que provoque curiosidade, mas desatenção e sensação de se estar assistindo uma bomba e que os seus trinta reais mereciam um destino melhor naquele domingo à noite.

Mas nem tudo é ruim na montagem. Depois de uma primeira meia hora confusa, o espetáculo consegue se recuperar e gerar interesse. É quando Raul e Saul, dois funcionários de um escritório se aproximam e descobrem gostos em comum. O escritor e jornalista gaúcho Caio Fernando Abreu (1949-1996) abordou o homossexualismo, e a intolerância que cerca o assunto, em vários de seus contos. “Aqueles Dois”, apesar do final pessimista, não pode ser reduzido simplesmente a uma ferramenta de militância. A montagem também consegue escapar com êxito dessas armadilhas e, por mais que seja provável que algumas pessoas tenham ido assisti-la “querendo sangue”, nenhuma agenda é seguida. A nudez explícita dos atores em uma determinada cena não é ofensiva ou transgressora, mas um recurso necessário (com exceção de uma “quebra” que acontece nessa cena, em que os atores agradecem ao público e elogiam o espaço, algo mais apropriado para o final da peça). A solidão, o amor e o medo abordados na montagem são temas universais.
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O Homem Inesperado

23/03

Antes uma observação: o Festival de Curitiba consegue reunir um público que cresce a cada edição, mas parte dele ainda não aprendeu a se comportar numa sala. Era previsível que uma peça que contava com dois atores globais fosse atrair pessoas que querem ver as estrelas de perto, mas nem por isso foi menos incômodo ter que agüentar máquinas fotográficas disparando flashes mesmo quando o espetáculo já havia começado. Aliás, o que essas pessoas pretendem registrar fotografando com flashes do balcão do Teatro Guaíra? Nucas?

A peça: dois passageiros num trem que vai de Paris a Frankfurt, um escritor e uma senhora que é sua fã, dividem o mesmo vagão enquanto divagam sobre o passado e imaginam as possibilidades que esse encontro pode gerar. O texto é da francesa Yasmina Reza e já foi encenado em outros países. Misto de comédia e drama, “O Homem Inesperado” trata sobretudo dos ardis que as pessoas criam para não se aproximarem umas das outras. Um problema que não diminui com a idade.

– Vocês aí com as máquinas, façamos uma troca. Vocês podem disparar seus flashes se eu puder jogar uns tomates na pessoa que escreveu essa porcaria.

Tomates? Ora, o texto é sofrível, antiquado e parece um pastiche de alguma obra de W. Somerset Maugham ou Stefan Zweig (o personagem do escritor até mesmo faz uma comparação da situação com uma obra de Zweig, mas os leitores do popular autor da primeira metade so século 20 não vão deixar de notar que isso faz a peça parecer ainda mais fraca). É o tipo de montagem que nunca ganharia destaque e que faria o público passar longe se não contasse com dois velhos atores de peso. E os dois atores de peso, mesmo com sua competência, não poderiam evitar transparecer que seus papéis foram mal elaborados e a coisa toda não tem nenhum conteúdo. A tal senhora fala de Brahms, de seus amigos e de restaurantes, acende um cigarro e parece sofisticada. O escritor é um velho resmungão e pretende parecer cômico como um senhor que fala palavrões. Os dois pensam em voz alta e só travam um diálogo lá pelo final da peça. Tudo parece um misto de especial para TV com um horrível romance em paperback de alguma autora esquecida da década de 60 (seria para ler na piscina de clube?). O que mais? Hum… Onde consigo aqueles tomates?

O.k., um pouco de justiça: talvez o maior equívoco tenha sido um texto que privilegia monólogos interiores ter ganhado uma montagem. A impressão é que o texto, mesmo com seus defeitos, deve fluir melhor se lido.

O casal Nicette Bruno e Paulo Goulart, com o carisma e competência que só vai se acentuando com a idade, carregam a peça nas costas (a montagem americana tinha os veteranos Alan Bates e Eileen Atkins). Mas Nicette e Paulo, que já moraram em Curitiba por muitos anos e deram aulas de interpretação no Guaíra, mereciam atuar em coisa melhor.

A peça ainda conta com recursos cênicos simples mas bastante eficientes para passar a sensação de distância emocional que afasta os personagens. Também ambienta de maneira competente a viagem que vai se desenrolando – embora, infelizmente, lembre, entre uma parada e outra, que o trem ainda está em Strasburgo e faltam 200 km para a peça acabar.

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Macho Não Ganha Flor

26/03

Com dedo do próprio Dalton Trevisan que selecionou alguns contos de sua última obra, “Macho Não Ganha Flor” é uma montagem sóbria e bastante eficiente que dá vida aos personagens marginais do escritor curitibano. Os monólogos não são nem um pouco cansativos, sendo que a obra é de Trevisan é ideal para ser encenada nos palcos. Logo no começo, uma surpresa: o ator paranaense Marino Jr., bastante inspirado, solta uma série de impropérios contra a obra de Trevisan. Em seguida, ele interpreta a galeria que inclui estupradores, assassinos, ladrões e outros monstros não muito recomendáveis.

A montagem é do grupo Cia. Máscaras de Teatro, que já havia encenado “O Vampiro Contra Curitiba”, também de Trevisan. A direção é de João Luiz Fiani.

Sobre Fiani, não o diretor e ator, mas o teatro, uma observação: o espaço onde foi encenado “Macho Não Ganha Flor” revelou mais algumas das precariedades do festival que já se tornaram comuns. Extremamente abafado e apertado, com cadeiras de escritório para garantir mais lugares, o Teatro João Luiz Fiani é uma vergonha para a cena teatral curitibana. Chamar essa despensa de “sala intimista” é um eufemismo e tanto.

“Macho Não Ganha Flor” só mereceria elogios não fosse por uma besteira dita por Marino Jr. quando o espetáculo acabou. Depois de receber os aplausos, ele, numa coisa previsível e até necessária para uma peça local, pediu para que o público comentasse e divulgasse o espetáculo, mas resolveu dizer “até mesmo porque a gente faz a peça para os críticos e eles não vêm”. Uma observação bastante estúpida e ofensiva para o público que pagou e apreciou a peça.

Indigestão e Santa e Domenica

terça-feira, dezembro 4, 2007

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Cena de Santa & Domenica: é o sistema métrico!

Lembra daquele diálogo do filme Pulp Fiction em que os personagens de Samuel L. Jackson e John Travolta discutiam sobre um quarterão com queijo? Agora imagine algo parecido, mas com duas mulheres numa cozinha, travando uma discussão sobre um pacote de bolachinhas (“licenciamento de marca”). Pronto: nunca um desastre foi tão perceptível nos primeiros momentos. É assim que começa a peça Santa & Domenica, em cartaz no teatro José Maria Santos (ingressos a R$ 15).

Agora imagine que a tendência é só piorar – e você já começa a se perguntar se deve ou não cair fora dali – porque elas estão falando de antigos relacionamentos e uma música pop começa a tocar ao fundo. Mas calma, o desastre ainda não está completo: um telão começa a exibir o “depoimento” de umas das atrizes, apenas como desculpa para que, ao vivo, a moça continue com o tal confissão – e já que não dá mais para cair fora, você começa a torcer para que a peça seja pelo menos curta.

E assim, nesse bazar de música pop, afetação, diálogos preguiçosos e uma história que não desperta nenhum interesse, você fica sabendo que a Domenica do título (interpretada por Rafaella Marques) é uma cozinheira talentosa com uma extensa ficha corrida e de poucos arrependimentos. Junto com Santa (papel de Karla Fragoso), uma cozinheira que não sabe preparar um ovo, ela tem sociedade num restaurante. A experiência lésbica de uma, o caso com um homem casado de outra, são o restante do enredo. Ah sim, um gato é trucidado na história (“Lebre na Mostarda”), e também há algo sobre a amizade que vai se desgastando – desculpas para (i) uma pirotecnia sanguinolenta totalmente gratuita e (ii) aquela coisa já batida de botar os protagonistas falando da mesma coisa mas em tempos diferentes (no caso, o começo e o fim da sociedade). Recursos não devem ter faltado. A sala é decente, a cenografia também, até a pirotecnia é bem realizada – tudo está no lugar. O problema é mesmo o material.

E por que você foi assistir tal desastre? Certo, você sabia que a companhia, a Vigor Mortis, já tinha feito algumas boas peças – Graphic recebeu elogios e prêmios e Pincéis e Facas te agradou, os jatos de sangue não eram gratuitos, a história era interessante… Você imaginou que os dez anos de sucesso da companhia – uma boa marca para Curitiba – eram uma garantia. Mas depois de assistir Santa & Domenica, você vai pesquisar um pouco e topa com os seguintes comentários do autor e diretor da peça, Paulo Biscaia Filho: “A peça foi feita praticamente da noite para o dia. Essa montagem trabalha a rítmica de interpretação com uma velocidade de diálogos muito grande”. E comentando os dez anos da companhia: “São dez anos para tentar encontrar o caminho, tropeçar algumas vezes e achar o nosso rumo sem querer”.

Santa & Domenica é no mínimo um tropeço.

Chinas na página 161

sexta-feira, outubro 12, 2007

Não gosto muito de memes de internet desde que fui enganado pelos bonzai kittens, aquela história infame de gatos presos em garrafas.

Mas recebi um meme inofensivo do blog Universo Tangente. O negócio é o seguinte:

1) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2) Abra-o na página 161;
3) Procurar a 5ª frase completa;
4) Postar essa frase em seu blog;
5) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6) Repassar para outros 5 blogs.

O livro mais próximo do computador é Tempos Modernos (como sempre – acho que nunca botei esse livro na estante), do historiador Paul Johnson. O trecho:

O marechal Chang Tsung-chang era o militar em Shangtung e Chu Yu-pu, na área de Pequim – Tientsin.

Tsung e Chu Yu?

Também sobre chineses, gosto mais de um trecho muito bem-humorado de Declínio e queda (estava mais longe do pc), de Evelyn Waugh:

“Eu não tenho problema com negros”, disse Philbrick. “O que eu não suporto são os chinas. Um amigo meu foi assassinado por um china. Horrivelmente degolado, de orelha a orelha.”

“Meu Deus”, disse a governanta dos Clutterbuck; “foi na guerra dos Boxers?”

“Não”, disse Philbrick alegremente. “Foi na noite de sábado passado, em Edgware Road. Podia ter sido qualquer um de nós.”

Brincadeira feita, vou deixar o item seis de lado e não repassar o meme para outros cinco blogs (isto aqui não é a Western Union).