Archive for the ‘“Pays de bandits!”’ Category

A “revitalização” da praça do Japão

quarta-feira, outubro 15, 2008

Eleitoreira ou necessária, a reforma da praça do Japão, em Curitiba, teve o efeito de uma bomba nuclear. A prefeitura chamou a coisa de “revitalização”, mas conseguiu piorar o espaço em quase todos os aspectos.

O antigo piso foi trocado por uma versão mais barata e feia. Grandes extensões do gramado foram cobertas por esse piso, com o claro propósito de abrir mais espaço para barracas de comidas típicas no Haru Matsuri.

O novo piso teria a vantagem de ser “antiderrapante” e permitir a absorção de água da chuva (black rain) – claro, como se a praça enfrentasse problemas de drenagem e todos escorregassem por causa de mau carma…

Mas o aspecto mais deplorável – e visível – da reforma é a nova iluminação. A maior parte da praça recebeu luminárias dignas da área de serviço da casa de praia mais chinfrim. Mas o pior não é proporcionado pelas luzes “à la IML”: o portal e o pagode agora são iluminados por luzes violetas (!).

Conseguiram mesmo fazer a praça parecer um pedacinho do Japão: o dos bordéis freqüentados pelas tropas americanas durante a ocupação.

Enquanto isso, os usuários da praça continuam sofrendo o velho problema de acesso. Sem uma faixa de pedestres ou um semáforo, na hora do rush é quase uma missão kamikaze chegar até ela.

Atualização (21/10): a praça é do Japão mas as lâmpadas são made in China. As novas luzes violetas já apresentam defeitos. Reforçando a aparência de bordel, agora elas piscam.

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Diplomas machistas

quarta-feira, setembro 24, 2008

Sufragistas americanas: vocês esqueceram a flexão no diploma!

Reforma política? Desoneração fiscal?

Não. Existem coisas mais urgentes. Você, mulher, se sentiu pouco feminina ao pegar seu diploma? Pois é, estava escrito “advogado”, assim mesmo, naquele espaço que informa qual é sua nova profissão. Você, mulher, achou que o diploma era uma conquista, algo que a diferenciava de sua avó condenada desde cedo à escravidão na cozinha e sua linha de montagem de negas malucas, mas o “advogado” denunciou que você só tinha caído em mais uma armadilha dos porcos chauvinistas, fazendo você se sentir uma mera reprodutora da era vitoriana.

Calma, não é preciso queimar sutiãs e desenterrar Betty Friedan, um projeto de lei em discussão no senado quer determinar “o emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas”.  A autora do projeto, a senadorA Serys Slhessarenko (PT-MT), justifica a medida (só mesmo os porcos chauvinistas precisam de uma justificativa) porque “muitas instituições de ensino continuam a emitir seus diplomas, para todos, indistintamente, na flexão masculina, como se as profissões fossem designadas sempre por substantivos comuns para os dois gêneros”. E segue: “Ao contrário do que fazem os consultórios, os escritórios, as repartições públicas etc”.

O melhor de tudo é que a lei será estendida (“baseado no senso de justiça”) para os diplomas antigos – e gratuitamente ainda por cima. Basta você, mulher, exigir.

Mas e se você, mulher, for membro(a) do Corpo de Bombeiros ou da Polícia Militar? “Capitão” (você chegou lá, garota!) é algo tão feminino quanto levantar a tampa do vaso. Calma, um projeto de lei similar está em discussão na Assembléia Legislativa do Paraná, essa Berkeley das araucárias. Pretende que “a flexão do gênero deverá estar em consonância com o sexo do candidato ou ocupante do cargo eletivo, assim como nas designações de patentes, postos e graduações dos militares e do Corpo de Bombeiros”. O autor é o deputado Luiz Carlos Martins (PDT), que apresentou o projeto a pedido do escritor Albino de Brito Freire (num esforço conjunto para combater a obrigação genética e cultural que faz os homens se comportarem como patres famílias).

Além disso, “o projeto representará a normatização da nomenclatura dos cargos públicos”.

Ainda é pouco.

“The mob has many heads, but no brains”

segunda-feira, agosto 4, 2008

Frases da multidão que acompanhava “Mulher que ameaçava se matar“, hoje, no centro de Curitiba:

“Ela só vai sair do carro quando o Grêmio sair da liderança! Ninguém segura o Grêmio!”, gritou um sujeito, arrancando gargalhadas.

“Se ela não se matar, eu vou lá matar ela. Imagina! Andar duas quadras por causa dela!”

“Tem que dar uma ajudazinha. Ela tá sem coragem.”

“Deve ser a TPM!”

“Ah! É TPM!”, de uma mulher que observava.

“Por que foi escolher o centro?”

“Isso é falta de homem!”

“Se mata logo!”

“Nóis qué trabalhá!”

“Se ela quer se matar, por que não deixam ela? Que exagero!”

“Cheio de serviço e me aparece essa!”, de um passante, depois que já passava das 18h.

“Porra! Fechar a praça por causa dela?”

“Não, eu não tenho pena. Tanta gente doente por aí, e ela com saúde…”

“Só pode ser por causa de homem!”

“Tá grávida? Agora que esse cara [o suposto namorado que morava na praça] some de vez. Esse cara tá longe.”

“Parece que é a mulher de um garçom do [bar] Stuart.”

“Tem que atirar na mão dela!”

“Isso aqui tá parecendo o Rio.”

“Se mata logo!”, grito de uma mulher na janela de um prédio, antes de uma longa gargalhada.

“Cadê a televisão?”

“Por que ela não se mata logo? Fica enrolando…”

“Cadê o carro? Ah… não dá pra ver… Não tem nada para ver aqui…”

“Enquanto ela não se mata os bandidos estão soltos por aí.”

“Se quiser se matar, se mate! Mas atrapalhar o trânsito?”

“Meu carro está ali, bem perto. Eu bem que pensei em estacionar lá”, apontando para a direção oposta, “mas, que merda!, não fui.”

– “Eu quero passar”, diz a mulher com uma sacola.
– “Senhora, só dando a volta na quadra”, informa o policial.
– “Mas eu vou naquele prédio ali.”
– “Não pode. Fica bem na frente da mulher. A senhora não quer ela atire na senhora, né? Em qual prédio que é mesmo?”
– “É… hum… aquele, aquele ali.”

Depois de contar uma série de piadas sobre a situação e tentar passar à força o bloqueio policial, a mulher com a sacola volta à carga:

– “Mas eu preciso passar. É logo ali. Eu vou abaixadinha.”
– “Não, minha senhora. Não pode”, responde o policial.
– “Mas eu preciso levar isso aqui!”, diz a mulher, apontando para a sacola.

Mais piadas (“ela qué o Lula!”), nova tentativa:

– “Mas meu filho está doente!”
– “Que doença ele tem?”, pergunta uma policial.
– “Leucemia!”
– “Hum… não dá, não pode”, responde a policial, desconfiada.

A mulher fura o bloqueio, rindo, mas é detida.

“Se até no Iraque ele vão filmar…”, de um policial explicando para um colega o porquê de ter deixado uma equipe de reportagem passar pelo bloqueio.

“Tem uma ‘psicótica’ com uma pistola num carro. Já efetuou vários disparos. Tá atirando em todo mundo que aparece”, de um guarda municipal.

“Se é uma pistola, ela deve ter um monte de tiros. Quantas balas vai? Doze, catorze?”

(Não ouvi ninguém dizer “Meu Deus!” ou qualquer interjeição de espanto ou tristeza.)

O voto obrigatório

quinta-feira, julho 17, 2008

O número de eleitores só aumenta a cada eleição. Chegará a 130 milhões na próxima. Seria um número para se comemorar e um indicativo de que o Brasil é um país bastante politizado não fosse uma anomalia que pareceria absurda na maior parte das democracias do mundo.

No Brasil, é quase certo um jovem de 18 anos escapar do serviço militar obrigatório. Sucateamento do exército e excesso de recrutas colaboram para que ninguém tenha que servir contra a vontade. Mas de uma coisa a pessoa que fizer 18, mulher ou homem, não pode escapar (não até fazer 70 anos): é obrigatório se inscrever numa lista eleitoral e comparecer na seção em dia de eleição.

Não é o método Mugabe de ameaçar fisicamente a população a comparecer e conseqüentemente legitimar um pleito fraudulento, mas algo que colabora para uma série de distorções e injustiças.

Na prática, o cidadão que não comparecer – e 16% não o fez em 2006 – pode contar com a justificativa que pode ser feita até 60 dias depois das eleições. Mas esse dispositivo, que poderia relaxar o absurdo da obrigatoriedade, implica na manutenção de uma burocracia que existe apenas para julgar a veracidade da versão dos ausentes. É espantoso que uma quantidade enorme de tempo e dinheiro sejam gastos para analisar uma questão sem qualquer importância. E o que dizer da série de chantagens que são colocadas em prática para forçar o eleitor a comparecer? Não votando em três turnos consecutivos, o eleitor ausente não pode participar de concursos públicos, se matricular numa universidade pública e tirar uma cédula de identidade. Terá também que pagar uma multa. E se quiser cair fora do país porque ficou indignado com tudo isso, também está lascado: tirar passaporte, só com o comprovante de voto na última eleição.

É paradoxal punir alguém que simplesmente se recusou a exercer um direito. A maioria das democracias nunca flertou com essa idéia. Alguns defensores do voto obrigatório reconhecem que essa anomalia não existe em países como os EUA, Reino Unido, França e Alemanha, mas contra-argumentam os defensores do voto facultativo citando a Itália, a Austrália e a Bélgica – países ricos que obrigam seus cidadãos a comparecerem nas seções eleitorais a cada eleição. Não parece ter ocorrido que esses três países são exceções nas democracias tradicionais. Obviamente o voto obrigatório não é a causa, mas a Bélgica e Itália também são péssimos exemplos de governos representativos. Há meses a Bélgica passa por uma crise que impede a formação ou trava o funcionamento de qualquer governo. A Itália, eternamente bagunçada e com sua média de um governo diferente a cada ano, também não deveria ser um exemplo. E mesmo esses dois países não aplicam medidas tão punitivas como as brasileiras. De qualquer forma, não é uma questão de se espelhar nos outros, mas sim debater a legitimidade da obrigação, um resquício de autoritarismo numa democracia que, apesar de muitos tropeços, está consolidada.

Autoritária e exótica, a obrigatoriedade até que surgiu com boas intenções. Estreou no Brasil em 1932, por decreto do governo provisório de Getúlio Vargas. Foi pensada, junto com outras medidas, para acabar com as fraudes eleitorais que caracterizaram a República Velha. Sem qualquer controle unificado, currais eleitorais podiam recusar ou intimidar qualquer eleitor que não estivesse na mesma sintonia dos poderosos locais. Acabou sendo incluída na Constituição de 1934 e nunca desapareceu, mesmo com os períodos em que era “obrigatório não votar” para alguns ou todos os cargos (1937-1945 e 1964-1985). Com as fraudes eleitorais ficando para trás, a justificativa inicial acabou perdendo o sentido.

No Congresso já foram propostos 24 projetos para acabar com a obrigatoriedade, e de vez em quando algum político reformista aparece defendendo seu fim (o último digno de nota foi o então senador Sérgio Cabral em 2004), mas com a protelação interminável da reforma política qualquer movimento nesse sentido é logo esquecido. É possível concluir que por não se tratar de uma questão que beneficie os políticos – como fundo partidário, fidelidade etc -, mas sim os eleitores, ela nunca vai suscitar pressa ou vontade no Congresso.

É difícil determinar se o comparecimento nas eleições iria cair significativamente com o fim da obrigatoriedade, mas para os políticos a legislação atual obviamente é confortável. Só têm que convecer o eleitorado a votar neles, convencer os eleitores a saírem de casa já está assegurado – ao contrário dos EUA e maior parte da Europa, onde as campanhas devem ter um apelo muito maior por causa do baixo comparecimento. Mas por que os eleitores se sujeitam a isso? Certo, se trata de apenas um domingo, talvez dois, a cada dois anos – contrastando com os 12 meses de serviço militar, este sim de provocar temor e indignação nas mães de classe média -, e também existe como contornar as punições, mesmo que pagando. Também existem as anistias. Mas parece que a população, mesmo com a indignação generalizada com a classe política, parece achar natural a obrigatoriedade. Pesquisas mostram 60%, 75% ou 80% defendendo o voto facultativo, mas qualquer demonstração ou movimento mais barulhento inexistem.

Pode-se argumentar que a obrigatoriedade vale a pena para incentivar (ou forçar?) as pessoas a se integrarem ao sistema político. Mas é uma saída fácil, não implicando em melhorar a educação e a politização do eleitorado. Aliás, os defensores do voto facultativo caem numa armadilha similar, argumentando que seria melhor  “só os mais educados saírem para votar”. De novo, sem estender essa educação para toda a população, mas partindo do pressuposto que só quem tivesse educação (ou consciência) teria vontade de votar numa eleição sem obrigatoriedade. Um argumento pra lá de elitista. É importante lembrar que países com voto facultativo também têm muitos problemas com suas classes políticas. E o comparecimento em países desenvolvidos é considerado baixo, nem mesmo os “conscientes” têm vontade de votar. E mesmo que a qualidade dos políticos desses países seja melhor, a diferença é que os mecanismos para combater a corrupção são mais eficientes.

Resultados práticos ou diferenças com outros países fogem da  questão principal: ninguém deve ser obrigado a exercer um direito – e muito menos ser punido por isso. Simples assim. A Constituição brasileira explica como deve ser exercido o voto. Está na seção “Direitos Políticos”. Por causa da obrigatoriedade, seria mais apropriado escrever “Deveres Políticos”.

O Sportv é uma vergonha ou a partida sumiu

domingo, junho 22, 2008

Mais uma do mundo televisivo, mas desta vez passando longe do aspecto folclórico. Isso é um registro de revolta. Foi um escândalo o que o canal pago Sportv fez hoje com a transmissão da partida Itália x Espanha, valendo classificação para as semifinais da Eurocopa. Primeiro mudaram o canal da transmissão no intervalo da prorrogação, passando a partida do Sportv 1 para o 2. Avisaram, é verdade, mas a partida devia estar estragando toda a programação engessada do canal. Então… que se dane o telespectador!, devem ter pensado os programadores. Que se dane o telespectador porque foi uma vergonha, uma coisa ultrajante o que aconteceu em seguida.  Como a prorrogação terminou no 0 x 0, como em quase todas as quartas-de-final desta edição da Eurocopa, a partida teve que ser resolvida nos pênaltis. E olhem só o que acontece: depois da primeira cobrança, a transmissão foi interrompida! Outra partida, esta do Atlético-PR x Grêmio, apareceu na tela. As cobranças restantes de Itália x Espanha nem foram transmitidas em outro canal. Simplesmente evaporaram para quem tem o azar de contar com o Sportv da Globosat.

Uma vergonha.

Palpite para a Eurocopa: seria interessante a Turquia ganhar o torneio, um título para um país que não está sendo exatamente recebido de braços abertos na expansão da UE. Mas este blogueiro, que admite entender pouco de futebol, aposta nos alemães. Até porque se a Alemanha chegar na final, vai ter a vantagem de jogar em “casa”. A final será disputada em Viena, na Áustria. Preparem os lederhosens.

Ve still vant ze money, Lebowski

quinta-feira, junho 12, 2008

Esses são os deputados paranaenses que votaram a favor da criação da nova CPMF:

PMDB
Hermes Parcianello
Marcelo Almeida
Moacir Micheletto
Odílio Balbinotti
Osmar Serraglio

PP
Nelson Meurer
Ricardo Barros

PR
Airton Roveda

PR
Chico da Princesa
Giacobo

PSC
Takayama

PT
Angelo Vanhoni
Dr. Rosinha*

PDT
Alex Canziani

A criação da CSS (Contribuição “Social” para a Saúde; as aspas são minhas), como é chamada a nova CPMF, ainda está longe de se concretizar, já que o placar apertado (apenas dois votos de diferença) na Câmara não foi suficiente para uma emenda constitucional e sinaliza que o o governo vai encontrar dificuldades no Senado, que ainda precisa votar o projeto.

* O Dr. Rosinha também é defensor do “Imposto Sobre Grandes Fortunas” (IGF). Na opinião do deputado, grandes fortunas deveriam ser taxadas com uma alíquota progressiva entre 0,8% a 1,2%.

Peguem esses bilionários sonegadores! Mas, peraí… O que são exatamente grandes fortunas? Para o deputado, é qualquer patrimônio superior a um milhão de reais – isso mesmo, qualquer pessoa que ao somar o carro, apartamento e casa de praia tenha um milhão de reais, é considerada detendora de uma “grande fortuna”.

He go up diddley up-up, he go down diddley down-down!

quarta-feira, abril 23, 2008

or how I disappear from Paranaguá to the Atlantic in 25 hours 11 minutes

Vôo solo de Aderli de Carli, o padre dos balões.

Obs: Aderli não foi a primeira pessoa que realizou um vôo com balões de hélio. O americano Larry Walters não era padre, mas estava frustrado por não ter se tornado piloto. Em 1982 ele realizou um vôo parecido, com balões adquiridos numa loja de sobras do exército. Acabou preso e pagou uma multa de 4.000 dólares por violação do Código de Aviação Civil americano. Ele também ganhou uma “menção honrosa” no Darwin Awards, que premia as mortes mais estúpidas do mundo (ou “The Awards honour people who ensure the long-term survival of the human race by removing themselves from the gene pool in a sublimely idiotic fashion”; casos que mereceram o prêmio incluem um americano que jogou roleta russa com uma arma automática e um brasileiro querendo se certificar que um tanque de gasolina estava vazio iluminando o interior com um isqueiro).

Faraós de toga

quarta-feira, outubro 17, 2007

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Vista de Brasília mostrando os prédios do TST e do STJ: colírio para Niemeyer e os juízes gastadores

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) anunciou que vai construir uma nova sede em Brasília. Seguindo a paixão do Poder Judiciário por prédios suntuosos, a nova sede vai custar absurdos 498 milhões de reais (!). O arquiteto será Oscar Niemeyer, como sempre. Nosso arquiteto de pirâmides judiciárias também projetou as dispendiosas sedes do TST (R$ 202,9 milhões) e do STJ (170 milhões a preços de 1995, equivalente, com a cotação de hoje, a R$ 306 milhões, segundo o jornal Estado de S. Paulo), ambas instaladas em Brasília.

Uma das histórias sobre a construção de Brasília, na década de 1950, era que o custo da cidade saiu tão caro porque, pela falta de estradas, até mesmo os sacos de cimento tinham que ser transportados de avião. Hoje, o cimento dos prédios vai de caminhão, mas os construtores não economizam nos mármores e granitos dos pisos e revestimentos internos.
Um exemplo é a nova sede de outro tribunal, o TSE, prevista para ficar pronta em 2010. Também de Niemeyer – quem mais? -, o novo prédio do TSE vai custar 335 milhões de reais ao contribuinte – o escritório de Niemeyer cobrou 7 milhões pelo projeto. Um órgão que praticamente só tem serviço em anos eleitorais, o TSE julga inadequadas suas atuais instalações. Alega que o plenário do atual tribunal é muito pequeno “e, em ocasiões importantes, como a diplomação dos presidentes da República, o número de convidados é reduzido”.

Diante dessa farra, o senador Luís Estêvão e o juiz Nicolau, estrelas do escândalo do TRT (outro T…) de São Paulo (R$ 295 milhões), parecem amadores.

O Cirque du Soleil é um escândalo

terça-feira, outubro 9, 2007


Foto promocional do filme “Freaks”, dirigido por Tod Browning: seu circo valia um ingresso de 400 reais.

Como o governo gosta de desperdiçar nosso dinheiro… Não basta enterrar milhões em filmes de qualidade duvidosa que ninguém quer ver. Agora, em mais um ato de generosidade, resolveu abrir a carteira para um trupe de canadenses que de pobres não têm nada. O Cirque du Soleil, o circo canadense que veio ao Brasil e atualmente está se apresentado em Pinhais – num pavilhão de feira agrícola… -, recebeu 9,4 milhões de reais do seu e do meu dinheiro. A aberração acontece graças à Lei Rouanet, um incentivo criado em 1991, que permite empresas patrocinarem qualquer coisa ligada à cultura com a contrapartida de que abaterão impostos. À la Hermann Göring, tenho vontade de sacar meu revólver quando observo que, além de captarem quase 10 milhões de reais desta república de bananas, a exemplo do que aconteceu no show do Chico Buarque no Guaira – que também contou com a Lei Rouanet -, os saltimbancos canadenses ainda têm a cara-de-pau de cobrarem ingressos que não custam menos de 150 reais – se você for estudante ou quiser ficar no fundão; míopes pagam 300; dependendo do dia, o ingresso pode sair por 400 reais. Bela democratização da cultura essa aí. A intenção original era captar mais de 20 milhões através da lei, mas o Ministério da Cultura, informa um comunicado, numa decisão salomônica, resolveu só liberar metade da grana. Ainda é o suficiente para um escândalo.

Que o Cirque cobre quanto quiser nos seus ingressos, mas o dinheiro público indo para o bolso de canadenses que vão gastar tudo em moose piss e ingressos de hóquei não ajuda em nada a incentivar a criação de coisas genuinamente brasileiras – o que era a intenção original da lei. Não há nada de novo sendo criado em Pinhais ou, em breve, em São Paulo e no Rio.
O Cirque du Soleil é um modelo eficiente de negócio artístico. Uma multinacional de sucesso, com mais de 3 mil empregados e uma marca mais cotada que gigantes como a Apple e a Harley-Davidson, a empresa que administra o Cirque faturou 620 milhões de dólares em 2006. E, segundo um jornal canadense, é proprietária de outros negócios que não têm relação direta com o circo, como cassinos e empresas de tecnologia. A exemplo dos estrondosos sucessos da Broadway, o Cirque é o último negócio artístico que precisa de dinheiro público.

E como os curitibanos ficam deslumbrados…

Assunto de bar na última sexta-feira, os 9,4 milhões dados ao circo também são tema de um post do meu amigo Carlos em seu blog.

A pouco discreta briga da burguesia

domingo, setembro 30, 2007

Anteontem de madrugada, briga de playboys que saíam de uma festa numa mansão em frente de casa. “Você baixou na minha mulher, seu filho da puta!”, “Eu luto muay thai” (ah… é assim que se escreve…). Não adiantou ir até a janela reclamar do barulho (5 h30 da manhã!). Nem terminei a frase “Seus burgueses! Chega dessa merda, já chamei a polícia!”, completamente ignorada pelos arruaceiros, e a sessão de empurra-empurra e troca de gentilezas recomeçou. Os Curitiba´s finest não tardaram a chegar.

Infelizmente, quando a viatura chegou, a briga tinha “dado um tempo”, e os policiais nem pararam. A pancadaria (por que as melhores manchetes são sempre com “terminou em pancadaria”?) de verdade começou depois: fiquei com pena do baixinho que apanhou de um monte de armários por ter cobiçado a mulher do próximo. Não era muay thai, mas foi uma cena deprimente, como qualquer briga.

O personagem de Burt Lancaster em Sweet Smell of Success, J.J. Hunsecker, um colunista social de Nova York que tinha tara pela irmã mais nova, olhava para uma briga dessas e adorava: “I love this dirty town”, dizia numa cena famosa do filme.

Burt, seu degenerado…

Por que o MST perde tempo invadindo laboratórios de manipulação genética? Tanta festa de bacanas dando sopa por aí…