Archive for the ‘A little piece of Poland!’ Category

O Leitor

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Mais um filme sobre o holocausto…”, seria apropriado dizer. Um tema já explorado ao extremo e que raramente resulta em boas surpresas – “O Pianista”, de 2002, foi a última –, ganha o que seria um novo olhar com “O Leitor”, atualmente em cartaz.

Um “novo olhar” porque esse filme propõe examinar o ponto de vista alemão do holocausto, a estranha convivência com assassinos no pós-guerra e o conhecido tema da “banalidade do mal”, em que os criminosos não se dão conta da brutalidade de seus atos e os justificam com a desculpa de que eram meramente parte de uma imensa engrenagem burocrática – “eu apenas cumpria ordens” deve ser uma das expressões alemãs mais famosas.

Alemanha, 1958, num dia chuvoso, o jovem Michael (David Kross), de 15 anos, está voltando para casa e começa a sentir mal. É acudido por uma mulher de trinta e tantos anos (Kate Winslet) que o acompanha até perto de sua casa. Passam-se alguns meses e Michael está melhor, pronto para visitar e agradecer a mulher que o acudiu. Uma cena de sedução depois, começa entre os dois um relacionamento sexual. Hanna também gosta que Michael leia para ela, de livros infantis a clássicos antigos. Certo dia, Hanna some da vida de Michael.

Anos depois, Michael, já um estudante de direito, é convidado por seu professor (Bruno Ganz) a acompanhar um julgamento. Para a surpresa de Michael, é Hanna, junto com outras mulheres, que está sentada no banco dos réus. A acusação: ter sido guarda de um campo de extermínio na Segunda Guerra.

“O Leitor” foi baseado na obra homônima do escritor alemão Bernhard Schlink. O livro ganhou notoriedade quando foi indicado pela influente apresentadora americana Oprah Winfrey em seu “Clube do Livro”. No Brasil foi publicado há dez anos pela Nova Fronteira, agora ganha uma nova edição pela Record (R$ 29).

Infelizmente, “O Leitor” é mais um filme burocrático, morno e previsível sobre o holocausto.

Não se pode culpar inteiramente o diretor Stephen Daldry (“As Horas”, “Billy Elliot”) pelo resultado. O próprio livro de Schlink não era lá grande coisa, mas Daldry leva seu filme de maneira previsível, abusando de alguns recursos (o filme está repleto de música dramática e inúteis recursos de sobreposição de imagens). A fragilidade da coisa toda fica óbvia quando é perceptível que Daldry preparou com satisfação – e com direito a flashbacks (é “Os Suspeitos” sempre fazendo escola) – uma surpresa que todos já haviam percebido no começo do filme

Para piorar, os atores não fazem melhor. Kate Winslet foi indicada ao Oscar por seu papel, mas ele o interpreta tão burocraticamente que mesmo suas cenas de nudez têm pouco apelo – o que é imperdoável para alguém que tem um belo corpo. Mas o pior mesmo fica com o Michael mais velho, interpretado pelo sempre soporífero Ralph Fiennes. São dele algumas das piores cenas do filme, incluindo um desnecessário momento de “eu vou te contar uma história”

Mais grave, porém, são os problemas morais do filme.

Não é necessário ir tão longe como o escritor Ron Rosenbaum – autor do excelente “Explaining Hitler”, traduzido no Brasil com o inacreditável título de “Para entender Hitler” (Record) – que acusou o filme de sugerir que “lack of reading skills is more disgraceful than listening in bovine silence to the screams of 300 people as they are burned to death”.

O próprio livro é problemático. Ao usar a deficiência de Hanna como uma metáfora óbvia para a ignorância, Schlink passa para o leitor a idéia de que muitos assassinos foram empurrados para a máquina do holocausto pelo destino ou por motivos compreensíveis. Perguntar a alguém “O que você faria?”, como o filme e o livro fazem, e esperar um “Não sei” ou simples silêncio como resposta é repugnante.

Rosenbaum acertou em cheio quando disse que “não precisamos de mais um filme redentor sobre o holocausto”.

Para piorar, um filme que propagandeia as maravilhas da leitura.

“Sprechen sie talk?”

É conhecida a visão dos chefões de estúdio de que os americanos não gostam de ler legendas. Essa filosofia muitas vezes resulta em cenas engraçadas em que personagens estrangeiros falam alguma frase introdutória em uma língua qualquer para logo continuar o diálogo ou monólogo na língua do Dr. Johnson. Também acontece de os personagens forçarem um sotaque na língua que supostamente estariam falando. Assim não é incomum assistir a russos que falam entre si com sotaques pavorosos – famoso é o caso de Sean Connery, que usou o mesmo sotaque em “Os Intocáveis”, ao interpretar um irlandês, e em “A Caçada ao Outubro Vermelho”, ao vestir um uniforme russo.

Mas “O Leitor” inaugurou uma categoria totalmente nova na salada lingüística hollywoodiana: a leitura de textos em inglês por estrangeiros em seus respectivos países. Qual não é a surpresa observar que Michael, ao ler para Hanna, está segurando um livro em que se pode ler “The Adventures of Huckleberry Finn” em bom inglês! Recurso para facilitar a vida dos atores que devem entregar suas falas em inglês? As estantes de livros que aparecem ao longo também estão repletas de títulos em inglês… e publicados por editoras americanas. A escolha por facilitar a vida do espectador não familiarizado com alemão fica ainda mais cômica quando Hanna se alfabetiza e passa a escrever cartas em… inglês!

Pode ser um mero detalhe técnico, que para muitos não chega a influenciar, mas lembra aqueles filmes americanos deliciosamente toscos rodados no Brasil em que o merchandising aparece na forma de outdoors em inglês – quem assistiu “007 Contra o Foguete da Morte” deve saber do que estou falando.

O próprio Schlink insistiu para que o filme fosse rodado em inglês, justificando que a história da convivência numa sociedade pós-genocídio era universal – claro que a promoção inevitável de um filme americano nas vendas do seu livro também deve ter sido bem-vinda.

Skulls and germans

quarta-feira, setembro 24, 2008

Em Windhoek, a Christuskirche e o Reiterdenkmal, monumento que homenageia os soldados alemães que morreram na “pacificação” da Namíbia

Crimes de guerra alemães remetem imediatamente ao Holocausto ou aos milhares de massacres na Segunda Guerra. Mas o assassinato de judeus e outras minorias não foi a primeira campanha de extermínio promovida pela Alemanha.

A descoberta de 47 crânios no Museu do Hospital La Charité, em Berlin, e de outras dezenas na universidade de Freiburg, por uma equipe de reportagem da rede pública ARD, relembrou um capítulo brutal do período colonial alemão.

Enviados para a Alemanha em 1907, os crânios seriam usados em um dos típicos estudos que pretendiam provar a superioridade da raça branca sobre a negra.

Também era um troféu de guerra.

Eram de membros das tribos herero e nama, habitantes da atual Namíbia, que se chamou Deutsch-Südwestafrika até 1915.

Em 1903, quando se revoltaram contra o jugo colonial e mataram mais de 200 colonos brancos, os hereros e namas foram perseguidos sem piedade pelas tropas comandadas pelo brutal general Lothar von Trotha. A campanha, que durou três anos, foi tão brutal que resultou no extermínio de quase 70% do povo herero (mais de 50 mil pessoas) e 50% dos namas (10 mil pessoas). Poços foram envenenados na rota de fuga das tribos e os capturados foram mandados para campos de concentração (os primeiros da história alemã) onde a taxa de mortalidade era alarmante. Os que conseguiram fugir foram para Botswana (à época uma colônia britânica).

A ONU e alguns historiadores consideram o extermínio dos hereros e namas um dos primeiros genocídios do século 20.

A Alemanha perdeu a Namíbia durante a Primeira Guerra, mas diferentemente das outras colônias, a influência alemã ainda é visível no país. Alguns milhares de colonos alemães permanecem até hoje. O passado alemão também pode ser visto na arquitetura de cidades como Windhoek (aquela que Lula disse ser tão limpa que nem parecia ser na África) e Lüderitz. O alemão também é uma das línguas oficiais do país. (Curiosidade: Heinrich Göring, pai de Hermann Göring, o criador da Luftwaffe e comparsa de Hitler, foi o primeiro Reichskommissar da colônia.)

A ligação com a antiga colônia há muito foi esquecida pela maioria dos alemães (até a década de 50, de acordo com meu pai, era comum os alemães mais velhos repreenderem uma pessoa que errasse a pronúncia de alguma palavra ou tivesse péssimos modos à mesa chamado-a de “hottentot“, nome pelo qual os namas também são conhecidos). Na Namíbia o genocídio é relembrado todo 26 de agosto.

A Alemanha se desculpou pelo genocídio em 2004. Até mesmo os descendentes do general Lothar von Trotha visitaram o país, em 2007, e lamentaram o destino dos hereros e namas.

O novo capítulo dos crânios provocou indignação em alguns setores da sociedade namibiana. O embaixador do país na Alemanha exigiu que as caveiras fossem repatriadas. Suspeita-se que existam talvez até 300 crânios de membros das tribos herero e nama em universidades alemãs. Um deles seria do líder dos namas, Cornelius Fredericks, morto na prisão.

Até agora nada foi feito para devolver os crânios. O governo alemão informou que só tomará providências se a Namíbia fizer um pedido oficial.

Quando perguntado sobre os crânios, o diretor do arquivo da universidade de Freiburg justificou: “É uma coleção cultural”.

“It’s an opera”

sexta-feira, julho 25, 2008

Três membros da “famiglia” Wagner, senhores do Festival de Bayreuth

A ópera não é  considerada o gênero musical predileto de multidões. Mas o Festival de Bayreuth, que começa hoje, tem um público de causar inveja a qualquer artista, não importando o tipo de música que toque. Na sua 97° edição, o festival, que dura um mês, vai receber quase 60 mil apreciadores das obras do compositor alemão Richard Wagner. E esses cerca de 60 mil são considerados “sortudos”, já que o festival é disputadíssimo e conseguir um ingresso pode exigir anos na lista de espera. Quase 500 mil pessoas tentaram, em vão, comprar ingressos para esta edição.

Mas pessoas famosas e autoridades não precisam se preocupar em conseguir ingressos. Para eles, a organização do festival estende, literalmente, um tapete vermelho – a chanceler alemã, Angela Merkel, por exemplo, há anos freqüenta o festival.

Para os organizadores, afagar quem está no poder não é apenas um sinal de vaidade – e vaidade é o que não falta no festival -, mas uma questão de sobrevivência. Como qualquer festival de ópera, Bayreuth dá prejuízo, mesmo com um público cativo. É o Estado Alemão que cobre a diferença injetando 17 milhões de euros anuais – uma quantia considerada baixa para os padrões europeus.

O subsídio é tão Bayreuth quanto “Siegfried”. Uma tradição que começou com o fundador, o compositor romântico Richard Wagner. Com uma carreira cheia de altos e baixos até 1864, e no ostracismo por causa da sua vida privada escandalosa, Wagner teve a sorte de cair nas graças de um admirador poderoso: o jovem rei da Baviera Ludwig II, considerado um louco. Ludwig serviu de mecenas para Wagner, financiando generosamente suas obras posteriores e a construção de um teatro na pequena cidade de Bayreuth, exclusivamente para a encenação das obras do compositor. Foi um sucesso. O festival logo se tornou um evento para gente importante – até mesmo o nosso imperador D. Pedro II deu as caras. Nietzsche, obviamente, também era uma presença assídua.

Após a morte do compositor, em 1883, o teatro e o festival passaram a ser administrados pelos descendentes de Richard.

Num caso raro de continuidade, a família Wagner controla a organização do festival até hoje. Como um feudo, não é um negócio tocado com discrição. Os jornais alemães estão repletos de histórias sobre brigas entre membros da família. Atualmente é Wolfgang Wagner, neto de Richard e bisneto de Franz Liszt, que organiza o festival.

Nazismo e mudanças

Wagner não é nem um pouco popular em Israel. Suas óperas repletas de elementos do folclore germânico são consideradas por alguns a trilha sonora do Holocausto. Nos primeiros anos de poder, Hitler era um freqüentador assíduo do festival. Chegou a aumentar o subsídio que o teatro recebia do governo. Por anos, o relacionamento que matinha com Winifred Wagner, filha de Richard, foi alvo de especulação – suspeitava-se que ela fosse sua amante. O festival floresceu nos tempos de Hitler e, por estranho que pareça, foi durante o nazismo que aconteceram as primeiras mudanças depois da morte de Richard. Até então, todas as óperas eram encenadas com os mesmos cenários do século 19. Alguns tradicionalistas, incluindo o maestro Arturo Toscanini e o compositor Richard Strauss, protestaram.

Albert Speer, ministro e um dos favoritos de Hitler, contou em suas memórias que na esperança de agradar ao führer, muitos nazistas compareciam ao festival. Mas a duração de óperas como “Parsifal”, que tem mais de cinco horas (!), levava muitos desses nazistas de baixo  clero, mais habituados a quebrar crânios de comunistas nos tempos de freikorps, ao sono – para desgosto de Hitler.

Hitler nunca mais pôs os pés em Bayreuth depois de 1939, mas ele sempre foi uma sombra no festival. Até hoje a filha do marechal fanfarrão de Hitler, Hermann Göring, um grande amigo da família, recebe ingressos gratuitos. (História curiosa: poucos antes de sua morte, o filho de Rudolf Hess, Wolf Rüdiger, soube que a filha de Göring recebia ingressos. Reclamou. Desde então, também passou a ter entrada livre.)

Durante a guerra, boa parte da cidade foi destruída, o teatro, porém, ficou relativamente intacto. Mas foi só em 1951 que o festival recomeçou. Winifred foi banida pelos americanos por ser considerada uma nazista incorrigível. Mas o negócio não deixou de ser familiar, e a organização e a direção passaram para seus filhos, Wolfgang e Wieland.

Assumindo a direção, Wieland revolucionou o festival nos primeiros anos. Despindo as obras de seu caráter nacionalista, ele buscou um apelo mais universal. Também trocou os elaborados cenários tradicionais por outros com elementos mais modernos e simples. Muitos críticos acusaram as mudanças de serem uma traição aos ideais germânicos – lembrando em muito os nazistas e sua perseguição à “arte degenerada”. O público, por sua vez, vaiou.

Wieland se defendeu como pôde, mas sua morte prematura em 1966 abriu caminho para seu irmão Wolfgang, considerado menos brilhante. (Com o tempo, vários críticos reconheceram que a abordagem de Wieland era ideal.) Mais tradicionalista que seu irmão, Wolfgang reverteu todas as mudanças e se voltou para a abordagem pré-guerra. Espantou as vaias, mas os críticos começaram a achar que o festival estava engessado demais. O seu reinado já começou a ser contestado no começo da década de 70. Wolfgang então resolveu criar a “Oficina de Bayreuth”, convidando diretores de outras óperas e até mesmo do cinema para mostrarem suas abordagens da obra de Wagner. Wolfgang ficou responsável apenas pela administração do festival. Mas em 1973, por pressão do governo da Baviera e por brigas com outros Wagners, ele teve que entregar parte do poder. Foi criada a Fundação Richard Wagner, com outros membros da família e algumas figuras públicas. Porém, Wolfgang, um sobrevivente nato, continuou na chefia.

Há anos sofrendo pressão para se aposentar, ele finalmente entregou os pontos este ano, aos 89 anos, em parte por causa de sua saúde debilitada. Esta edição é a última sob seu comando.

É o fim da era Wolgang, mas a família Wagner continua. Duas Wagners estão sendo cogitadas como sucessoras. Eva e Katharina, filhas de Wolfgang e bisnetas de Richard. Elas já estão brigando pelo cargo. Os Wagners são mesmo personagens de opereta.

“This is London”

quarta-feira, junho 18, 2008

Dezoito de junho de 1940 deve ter sido um dia interessante para quem sintonizou a BBC. No dia que marcou os 125 anos da batalha de Waterloo, dois homens, representantes de nações que combateram naquele campo da Bélgica, um de um país derrotado horas antes daquele 18 de junho, e outro que já tinha convocado seus compatriotas a permanecerem na luta, pronunciaram discursos históricos.

Não fazia dois dias que a França havia concordado em se render aos alemães – que também celebravam a derrota de Napoleão em Waterloo para os prussianos de Blücher, aliados dos ingleses naquele distante 18 de junho de 1815 -, mas o general Charles de Gaulle já cruzara o Canal da Mancha (“O Rubicão de sua vida”) e estava em Londres. Churchill, que tanto havia feito para que os franceses permanecessem na guerra, o deixou ler seu “L’appel du 18 juin 1940“.

O apelo, que pouca gente ouviu na França em vias de ser quase totalmente ocupada, é carregado de impôrtancia para esse país que fez muito pouco para derrotar Hitler. Similar em significado ao discurso de Churchill em 4 de junho (“We shall fight on the beaches“), de Gaulle afirmou que seu país “havia perdido uma batalha, mas não a guerra”. Nesse momento as forças britânicas já estavam completando a Retirada de Dunquerque e os exércitos franceses se rendiam por toda a parte. De Gaulle convocou todos os soldados franceses disponíveis para prosseguirem a luta com ele, em Londres. Com isso salvou um pouco da honra de uma França manchada até hoje pela colaboração com os nazistas.

Vários políticos britânicos se opuseram ao apelo, temendo o efeito sobre os franceses que pretendiam um acordo com os alemães (ou seja, o novo governo de Pétain), mas o sinal verde de Churchill, que já não simpatizava muito com de Gaulle, foi decisivo. Curiosamente, os técnicos da BBC não acharam que o apelo valia uma gavação, e quando o general soube que não havia sido feito um registro, leu tudo novamente no dia 22. Desta vez gravado e ouvido por muito mais franceses – a gravação, que guardou o título “L’appel du 18 juin 1940“, assim como o rascunho e o famoso cartaz “À tous les Français” (este do dia 3 de agosto), hoje é um documento preservado pela Unesco.

Naquela mesma tarde, na Câmara dos Comuns, Churchill pronunciou um de seus mais famosos discursos, o “Their Finest Hour“, em que, longe de admitir uma derrota que naquele momento parecia próxima, afirmava que a luta deveria prosseguir e “if the British Empire and its Commonwealth last for a thousand years, men will still say, `This was their finest hour´“. Como a BBC não dispunha de meios para transmitir diretamente do parlamento, Churchill normalmente lia novamente seus discursos no estúdio, para que o público os ouvisse. Quatro horas depois de sair da Câmara, “Their Finest Hour” foi ao ar.

Uma lenda afirma que Churchill não gravou seus famosos discursos, e que a voz que nós conhecemos na verdade é a do ator britânico Norman Shelley. Bobagem, dizem os historiadores especializados nesse período. Mas “Their Finest Hour” foi com certeza lido no ar pelo próprio Churchill… junto com uns drinks a mais – e ele adorava um whisky. Como lembra o historiador John Lukacs, baseado nas memórias de algumas personalidades da época, a transmissão de 18 de junho foi considerada medonha. Ouvindo a gravação em MP3, é possível perceber que Churchill não estava mesmo em seus melhores dias. De qualquer forma, descontando o estilo por vezes exagerado do discurso (e intelectuais como Evelyn Waugh e George Orwell nunca gostaram dos textos grandiloqüentes de Churchill), ele tem várias passagens marcantes. A frase final, sem dúvida, é uma delas, mas o aviso de que seria melhor não apontar culpados pela situação militar ter chegado àquele ponto, “if we open a quarrel between the past and the present, we shall find that we have lost the future“, também é marcante. Orwell escreveu poucos dias depois que “as pessoas de pouco estudo são com freqüência tocadas por um discurso solene, que na verdade não compreendem mas sentem que impressiona”. O Departamento de Inteligência Interna do Ministério da Informação (que foi alvo do satirista Waugh na sua trilogia “Sword of Honour“) concordaria com Orwell. Num relatório sobre “Their Finest Hour“, o departamento concluiu que a população aguardava os discursos com ansiedade, considerando-os corajosos e esperançosos, mas com a ressalva de que a forma como eram apresentados suscitava todo tipo de comentário sobre o estado de Churchill.

John Luckas também lembra que 1940 marcou os 297 anos da batalha de Rocroi, onde os franceses derrotaram os decadentes espanhóis. Isso foi em 19 de maio de 1643. Cinco dias antes, Louis XIV, com apenas cinco anos de idade, foi coroado rei. Esse período foi marcado pela ascensão da França como maior potência do mundo. Waterloo, em 1815, quando a França disputava influência com a Inglaterra e uma Prússia renascida cada vez mais poderosa, não foi o começo do declínio, mas um catalisador. Em 18 de junho de 1940, a França não era nem sombra do que foi na época de Louis XIV.

Nesse mesmo 18 de junho de 1940, a Grã-Bretanha estava acuada, mas seu império, intacto – mesmo com algumas rachaduras. Os historiadores concordam que a decisão de prosseguir com a guerra, e a conseqüente derrocada financeira do país, acelerou a perda do império. Churchill pode até mesmo ser acusado de “perder a paz” em Yalta.

Mas ele ganhou a guerra.

Obs: Nada a ver com Churchill ou de Gaulle, só um aviso para quem usa o WordPress: a nova versão do Firefox 3 não parece se dar bem com as ferramentas de texto do blog.

Atualização: dia 20/06, o Firefox 3 e o WordPress parecem ter se entendido.

Die Brücke

quinta-feira, junho 12, 2008

Por motivos óbvios, a Alemanha não tem muita tradição em filmes de guerra. “Die Brücke”, de 1959, um filme não muito conhecido no Brasil, é, junto com “Das Boot”, uma exceção. Como não poderia deixar de ser, é um filme pacifista que denuncia a futilidade da guerra – “Nada de Novo no Front” vem imediatamente à mente.

Só alguém muito estúpido ou fanático (estou sendo redundante) poderia estar feliz em servir na Wehrmacht em abril de 1945. Mas é isso que acontece com um grupo de garotos de um vilarejo alemão ainda não muito afetado pela guerra. O falecido diretor Bernhard Wicki (que dirigiu as seqüências alemãs de “O Mais Longo dos Dias”) nos mostra como é o dia-a-dia desses garotos antes deles serem atirados nos horrores de um combate. Não é muito interessante, tirando uma ou outra cena sobre decepção ou pais temerosos com o destino de seus filhos, o cotidiano deles parece um tanto artificial nessa cidade sem refugiados e Juventude Hitlerista. É na véspera do combate e na luta em si que Wicki realmente consegue prender a atenção do espectador. E como ele consegue chocar. Os garotos recebem uma missão de vigiar a ponte local até a equipe de demolição chegar. Um incidente faz com que o sargento responsável, o único homem, esteja ausente. E assim os garotos resolvem lutar contra os americanos. Um a um eles vão morrendo.

Fanáticos por filmes de guerra devem adorar a cena da panzerfaust queimando o rosto de um civil, assim como a chocante morte de um G.I. americano, que fica com as tripas para fora ao ser baleado depois de implorar aos garotos (“kindergarten”) que voltem para casa. Tudo isso com uma qualidade impressionante para um filme do final dos anos 50. O ronco dos tanques americanos se aproximando é assustador, e um aviso que a guerra, em especial aquela guerra, é coisa para gente grande. Manter aquela ponte era coisa mais fútil que eles poderiam ter feito. Isso fica óbvio numa cena emblemática e bastante devastadora de um comboio de caminhões repletos de soldados feridos e desesperados passando pela ponte, e deixando os garotos para trás. Uma das melhores seqüências sobre o caos e futilidade que caracterizaram a Alemanha naqueles últimos dias da guerra.

Made in USA

quarta-feira, junho 11, 2008

Mulheres trabalhando na construção de um B-17, outubro de 1942. Essas duas fotos de beleza e nitidez extraordinárias, e ainda por cima em cores, foram tiradas por fotógrafos à serviço do United States Farm Security Administration (FSA) e do Office of War Information (OWI) nas décadas de 30 e 40. Essas e outras belas imagens estão disponíveis no Flickr da Biblioteca do Congresso americano. Podem ser só propaganda de uma América talvez bonita demais, mas ajudam a dar cor para uma época que se confunde com preto e branco.

Lend-lease

Stalin teria dito que “guerras se vencem nas fábricas”. A frase pode não ser dele, mas existe muita verdade nela.

Só faltou dizer que se vencem em fábricas americanas.

Em 11 de junho de 1942, quando a sorte na Segunda Guerra começou a mudar, os EUA formalizaram a decisão de estender os benefícios do Lend-Lease (empréstimo e arrendamento) à URSS. Tratava-se de um pacote de ajuda que consistia no envio de armas e outros materiais, com prazos de pagamento à perder de vista – só pra se ter uma idéia do prazo, o Reino Unido pagou a última parcela (US$ 83,3 milhões) em 29 de dezembro de 2006.

Durante a guerra, os EUA enviaram mais de 50 bilhões de dólares em materiais para todos os seus aliados (cerca de 700 bilhões em valores atuais).

Tudo para deter os nazistas e, lá no final, os japoneses.

Dependendo da agenda, costuma-se dar quase todo crédito da derrota nazista aos soviéticos – e na Rússia, o conflito ainda é lembrado como “Grande Guerra Patriótica”. Outras escolas puxam a sardinha para os aliados. Mas os números do Lend-Lease não deixam dúvida sobre o valor da ajuda americana para o progresso das contra-ofensivas soviéticas. (É espantoso o quanto as fábricas americanas produziram no conflito: além de equiparem seu exército – mais de 11 milhões de homens -, os americanos exportaram o excedente para seus aliados, muitas vezes encontrando submarinos no caminho. Tudo isso lutando em dois teatros de guerra e inovando na tecnologia de armas e produção. Enquanto isso, os alemães também aumentaram sua produção, com números menos impressionantes, mas à custa de milhões de escravos e fábricas capturadas.)

Vale lembrar que em 11 de junho de 1942 as batalhas decisivas de Stalingrado e Kursk ainda nem davam sinal de que iam acontecer. Mesmo nelas, a coragem e o medo do soldado soviético – ah, essa frase é de Stalin: “In the Soviet army it takes more courage to retreat than advance” – não teriam sido suficientes sem a mobilidade garantida pelos caminhões e trens Made in USA.

Esse é o total da ajuda americana enviada aos soviéticos (notem o número de caminhões e botas):

Aviões: 14.795
Tanques: 7.056
Jipes: 51.503
Caminhões: 375.883
Motos: 35.170
Tratores: 8.071
Armas: 8.218
Metralhadoras: 131.633
Explosivos: 345.735 toneladas
Equipamentos de construção: US$ 10.910.000
Vagões: 11.155
Locomotivas: 1.981
Navios mercantes: 90
Contratorpedeiros: 105
Torpedeiros: 197
Motores navais: 7.784
Alimentos: 4.478.000 toneladas
Maquinário e equipamentos industriais: US$ 1.078.965.000
Metais não-ferrosos: 802.000 toneladas
Produtos petrolíferos: 2.670.000 toneladas
Produtos químicos: 842.000 toneladas
Algodão: 106.893.000 toneladas
Couro: 49.860 toneladas
Pneus: 3.786.000
Botas militares: 15.417.001 pares

Fonte: Wikipédia

Flughafen Tempelhof

sexta-feira, maio 30, 2008

Em tempos de apagão aéreo, overbooking e filas intermináveis é difícil imaginar que voar já foi um sinal de status e um sinônimo de luxo. Um ícone dessa era, e um epaço que poderia resumir boa parte da história do século 20, o aeroporto de Tempelhof, em Berlin, teve seu destino selado. Na contramão do Brasil, que insiste e até promove aeroportos como o sobrecarregado Congonhas, mas também beneficiado por uma malha ferroviária das mais eficientes, as autoridades de Berlin decidiram fechar o histórico aeroporto da cidade, que se tornou pouco prático para atender aeronaves cada vez maiores e ficou ilhado no meio da expansão urbana. Nos últimos meses um grupo de cidadãos contra o fechamento se organizou e pediu um plebiscito, mas a apatia dos eleitores (eram necessários 25% dos votos), que não se incomodaram em sair de casa, não conseguiu mudar a decisão. Tempelhof fecha em outubro.

É uma decisão triste, mas talvez necessária. Nos tempos do Muro, Berlin era servida por quatro aeroportos – tudo em duplicata por causa da divisão da cidade. Com Tempelhof também se aposenta o aeroporto de Tegel, construído pelos americanos – o aeroporto em que meu avô levou meu pai para assistir à interminável fila de C-47s que traziam comida para a cidade durante o Bloqueio de Berlin, em 1948; um belo espetáculo para uma criança de sete anos. Tegel fecha em 2011. Todos os vôos vão ser concentrados em Berlin-Schönefeld, o aeroporto que servia a antiga parte oriental da cidade, bem afastado do centro. A expansão de Schönefeld está sendo vista com entusiasmo, já que o aeroporto vai criar 40 mil empregos numa área onde a taxa de desemprego é bastante alta. A estimativa é que a partir de 2011 aeroporto vai atender 25 milhões de passageiros por ano.

Um prédio na história

Mais que um aeroporto, Tempelhof é como um museu, mas não no sentido de repositório de objetos: cada parede e metro da pista contam uma história diferente. O exemplo mais próximo seria o carioca Santos-Dumont, ainda que mais pela beleza do que significado histórico. Seu edifício principal é enorme: é listado como o 18° maior prédio do mundo, sua fachada tem 1.230 metros de comprimento. Uma construção imponente em art déco, erguida entre os anos de 1936 e 1941 por Ernst Sagebiel, que pretendia impressionar os visitantes e transformar o aeroporto em símbolo daquela que se acreditava ser a nova capital de uma Europa dominada pelos nazistas. Sagebiel também é autor da antiga sede da Luftwaffe nazista na cidade, prédio atualmente ocupado pelo Ministério das Finanças.

Sonhos delirantes. O edifício foi bastante castigado durante os bombardeios da Segunda Guerra, várias partes do aeroporto também nunca foram completadas, e posteriormente ele acabou sofrendo várias alterações feitas pelos americanos, que assumiram o local depois da divisão da cidade. O imponente hall de entrada teve sua altura de três andares reduzida e foi instalada um base militar da USAF no local. Nos anos da Guerra Fria, Tempelhof foi um aeroporto misto, recebendo aeronaves militares e vôos comerciais. Na década de 70, com os aviões ficando cada vez maiores, grandes companhias como a Pan Am e a British Airways transferiram suas atividades para Tegel. Com o fim da Guerra Fria, em 1994 a USAF entregou suas instalações para o governo alemão. Com cada vez menos vôos (ano passado o aeroporto só atendeu 350 mil passageiros), Tempelhof foi definhando.

Mas a história de Tempelhof não começa com os nazistas e seus sonhos de grandeza. Tempelhof, como o nome diz, era um local pertencente à Ordem dos Cavaleiros Templários. Embora não tenha sido usado militarmente na Segunda Guerra, por séculos o campo de Tempelhof foi associado com essas atividades. Era lá que os soldados do exército prussiano faziam exercícios militares e, durante o II Reich, era comum ver o kaiser assistindo demonstrações no local.

Os vôos começam em 1909, com o francês Armand Zipfel, seguido justamente por um dos pais da aviação, Orville Wright, que conseguiu voar por um minuto num vôo de demonstração. Em 1926, foi construído o primeiro terminal, que logo abrigou a Lufthansa. Aviões ofereciam vôos para a Suíça. Zeppelins, invenção sempre identificada com os alemães, passaram a usar o aeroporto. Os nazistas derrubaram o velho terminal, e o atual aeroporto é um dos poucos exemplos do que sobrou do seu regime.

Aquele que já foi um dos aeroportos mais movimentados do mundo, Tempelhof também foi cenário de vários filmes. Em “Indiana Jones e a Última Cruzada”, o personagem de Harrison Ford embarcava escondido num zeppelin que decolava (esse termo se aplica aos zeppelins?) do aeroporto. O terminal principal também pode ser visto em “One, Two, Three” (“Cupido não tem bandeira”, no Brasil), de Billy Wilder, e “A Supremacia Bourne”.

O destino de Tempelhof ainda é incerto. A construção é tombada pelo Patrimônio Histórico da cidade, mudanças drásticas não podem ser feitas. Algumas companhias cinematográficas alemãs mostraram interesse em transformar o local em um estúdio. O Museu Aliado da cidade também já manifestou que pretende assumir Tempelhof. A única certeza é que a era da aviação na”mãe de todos os aeroportos” – como classificou o arquiteto Normam Foster – terminou.

Obs: na terça-feira (27 de maio) foi celebrado os 60 anos da Ponte Aérea de Berlin na abertura do Festival Aéreo da cidade. Vários veteranos americanos participaram, incluindo Gail Halverson, o piloto que jogou chocolates do seu C-47 para as crianças berlinenses. A cerimônia principal foi realizada, ironicamente – ou com um mau gosto não intencional-, em Schönefeld.

Oito de maio: V-E Day

quinta-feira, maio 8, 2008

“Real estate war”

Photo by Mathieu Struck
Licensed under CC-BY-NC-ND

Heil Hillary!

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

hillary_nazi-germans.jpg

Da Der Spiegel, maior e mais respeitada revista semanal da Alemanha.

“Are these the Nazis, Walter?”

quinta-feira, outubro 4, 2007

P.E.P.S.I. : Pay Every Penny to Save Israel

Pay every…”, o significado – que comprando Pepsi você ajuda os sionistas – saiu da boca de um ativista americano em entrevista a um documentário que passou ontem na HBO. Protocols of Zion, do jornalista judeu americano Marc Levin, é uma investigação pessoal sobre a influência que um livrinho escrito há mais de 100 anos ainda exerce na cabeça de muita gente. O livro – que recentemente também foi alvo de uma investigação contada no formato HQ, com o traço do saudoso Will Eisner -, é o mais celébre faux recheado de mentiras e ódio já publicado, Os Protocolos do Sábios do Sião. Também é uma fraude bem lucrativa, que faz a festa de editoras pouco respeitáveis. Inútil discutir o caráter do livro, trata-se do mais puro lixo, e o documentário, ainda bem, nem se preocupou em refutar o conteúdo, apenas deixou os crentes da grande conspiração sionista falarem suas besteiras. Que atirem no próprio pé.

Infelizmente, Protocols of Zion não é um bom documentário. O formato é um tanto confuso, não decidindo se ficava com capítulos que usavam como gancho trechos do livro, ou uma abordagem mais livre, que incluía passeios com o pai do documentarista. De qualquer forma, um dos méritos foi mostrar que as pretensas marchas “pela paz”, na moda com a Guerra do Iraque, camuflam todo tipo de pensamento distorcido, especialmente o anti-semita. A linha de “no blood for oil“, como mostrado, levava facilmente a “os judeus querem a guerra”, e coisas do gênero. Cenas de uma novela egípcia (é, novela), inspirada nos Protocolos, também foram exibidas – sim, não são só os livros brasileiros de má qualidade que são adaptados para a telinha… -, além de entrevistas com pessoas – algumas delas importantes no mundo árabe (um presidente, um reitor de universidade etc) – que acreditam e espalham aquela merda de que nenhum judeu foi trabalhar no WTC no dia 11 de setembro. Aqui em Curitiba, na livraria do Chain, que vende livros que poderiam muito bem se tornar os prediletos de muitos dos freqüentadores de cervejaria na Munique da década de 1920, alguns meses depois do atentado, vi na prateleira um livro específico sobre a questão dos judeus terem matado o serviço no dia do atentado. 11 de Setembro: o Waterloo de Israel, escrito pelo Grande Dragão da Klu Klux Klan, David Duke. Uma piece of junk, mas mostrou que não é só nos países árabes, com populações mais dispostas a acreditar nesse tipo de merda, que a mentira é difundida.

Idiotas que querem acreditar em conspiração sionista, que o homem nunca foi à Lua, que o lobby armamentista apertou o gatilho da arma que matou Kennedy, não são exatamente novidade, nem são novas as mentiras que difundem. Preocupante mesmo é, como já citei acima, que gente não exatamente desimportante acredite nesse tipo de coisa. Ou façam o jogo, como o canal de TV ZDF, equivalente da Globo na Alemanha, que recentemente, depois de exibir um documentário que especulava sobre a possibilidade do 11 de Setembro não ter sido obra de Bin Laden, fez uma pesquisa online com a pergunta “quem cometeu o atentado?”. As opções eram i) EUA, ii) Osama, iii) lobby armamentista, iv) Bush e v) governo americano. Judeus não constavam nas opções, mas o raciocínio estava lá.

Trechos do documentário Protocols of Zion estão disponíveis no YouTube. Link do trecho em que o tal ativista traduz o significado de Pepsi e, no meio de uma série de absurdos, afirma que Nova York é controlada pelos judeus. Sendo o prefeito Bloomberg e seu antecessor, “JEW-Liani”, as provas.

Obs: A Pepsi nem vende seu produto em Israel, mas de fato existe um refrigerante de cola que repassa “pennys” para um povo que vive na região do Oriente Médio. Se você pensou Coca-Cola, errou. É a Mecca-Cola, vendida somente na França, que destina 10% da grana obtida com a venda de cada latinha para as “causas palestinas”. “Não bebam de forma estúpida, bebam engajados!”, declara o site da empresa que engarrafa a bebida.

Eu prefiro Pepsi.