“The mob has many heads, but no brains”

Frases da multidão que acompanhava “Mulher que ameaçava se matar“, hoje, no centro de Curitiba:

“Ela só vai sair do carro quando o Grêmio sair da liderança! Ninguém segura o Grêmio!”, gritou um sujeito, arrancando gargalhadas.

“Se ela não se matar, eu vou lá matar ela. Imagina! Andar duas quadras por causa dela!”

“Tem que dar uma ajudazinha. Ela tá sem coragem.”

“Deve ser a TPM!”

“Ah! É TPM!”, de uma mulher que observava.

“Por que foi escolher o centro?”

“Isso é falta de homem!”

“Se mata logo!”

“Nóis qué trabalhá!”

“Se ela quer se matar, por que não deixam ela? Que exagero!”

“Cheio de serviço e me aparece essa!”, de um passante, depois que já passava das 18h.

“Porra! Fechar a praça por causa dela?”

“Não, eu não tenho pena. Tanta gente doente por aí, e ela com saúde…”

“Só pode ser por causa de homem!”

“Tá grávida? Agora que esse cara [o suposto namorado que morava na praça] some de vez. Esse cara tá longe.”

“Parece que é a mulher de um garçom do [bar] Stuart.”

“Tem que atirar na mão dela!”

“Isso aqui tá parecendo o Rio.”

“Se mata logo!”, grito de uma mulher na janela de um prédio, antes de uma longa gargalhada.

“Cadê a televisão?”

“Por que ela não se mata logo? Fica enrolando…”

“Cadê o carro? Ah… não dá pra ver… Não tem nada para ver aqui…”

“Enquanto ela não se mata os bandidos estão soltos por aí.”

“Se quiser se matar, se mate! Mas atrapalhar o trânsito?”

“Meu carro está ali, bem perto. Eu bem que pensei em estacionar lá”, apontando para a direção oposta, “mas, que merda!, não fui.”

– “Eu quero passar”, diz a mulher com uma sacola.
– “Senhora, só dando a volta na quadra”, informa o policial.
– “Mas eu vou naquele prédio ali.”
– “Não pode. Fica bem na frente da mulher. A senhora não quer ela atire na senhora, né? Em qual prédio que é mesmo?”
– “É… hum… aquele, aquele ali.”

Depois de contar uma série de piadas sobre a situação e tentar passar à força o bloqueio policial, a mulher com a sacola volta à carga:

– “Mas eu preciso passar. É logo ali. Eu vou abaixadinha.”
– “Não, minha senhora. Não pode”, responde o policial.
– “Mas eu preciso levar isso aqui!”, diz a mulher, apontando para a sacola.

Mais piadas (“ela qué o Lula!”), nova tentativa:

– “Mas meu filho está doente!”
– “Que doença ele tem?”, pergunta uma policial.
– “Leucemia!”
– “Hum… não dá, não pode”, responde a policial, desconfiada.

A mulher fura o bloqueio, rindo, mas é detida.

“Se até no Iraque ele vão filmar…”, de um policial explicando para um colega o porquê de ter deixado uma equipe de reportagem passar pelo bloqueio.

“Tem uma ‘psicótica’ com uma pistola num carro. Já efetuou vários disparos. Tá atirando em todo mundo que aparece”, de um guarda municipal.

“Se é uma pistola, ela deve ter um monte de tiros. Quantas balas vai? Doze, catorze?”

(Não ouvi ninguém dizer “Meu Deus!” ou qualquer interjeição de espanto ou tristeza.)

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Uma resposta to ““The mob has many heads, but no brains””

  1. Galeb Says:

    Lembra aquele professor que culpou o motoqueiro ferido/morto no chão pelo atraso. Ou o Homer, “Não t tendo o que precisa em casa?”

    A polícia não fez nada, e com razão, pois era capaz matar a mulher enquanto tentava convencer ela a desistir.

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