Waterboard meeting

Hitchens experimenta o afogamento “simulado”

Quando ainda disputava a indicação pelo Partido Republicano, John McCain recriminou os pré-candidatos Mitt Romney e Rudolph Giuliani por não terem uma posição firme contra a tortura de prisioneiros da guerra contra o terror. Num dos debates, diante da argumentação estapafúrdia de Romney de que a tortura, em especial a técnica de waterboarding (afogamento simulado), não era uma questão federal, McCain encerrou o assunto afirmando que os EUA eram signatários da Convenção de Genebra – que, não custa lembrar, proíbe até mesmo o waterboarding. Mas em fevereiro de 2008, o senador McCain, esse antigo soldado que foi feito prisioneiro e sofreu nas mãos de seus captores vietnamitas, votou contra um projeto que bania o uso do waterboarding pela CIA. O projeto, elaborado pelos democratas, previa a adoção do manual de interrogatório do exército americano – que não tem procedimentos de tortura – por todas as agências do país. Mesmo com o “não” de McCain, o projeto passou, mas acabou engavetado por Bush. A aura de defensor de princípios e a propagandeada firmeza de McCain saíram arranhadas. Ele foi acusado de querer agradar os membros mais conservadores do seu partido e evitar um conflito com Bush.

Ficando apenas atrás de Guantánamo nos protestos que exigem respeito aos direitos humanos nos EUA, a técnica de afogamento simulado consiste em imobilizar o suspeito numa tábua e encharcar seu rosto. A posição da cabeça, que fica para trás, e a água provocam, quase imediatamente, o reflexo faríngeo – a sensação de afogamento. Existem variações na execução, mas o princípio imobilização-água é sempre o mesmo. A CIA já admitiu ter usado a técnica em alguns interrogatórios.

Os defensores da prática – McCain, apesar do seu voto, declarou que continua sendo contra – afirmam que a simulação não é a mesma coisa que tortura. Comparada com o eletrochoque, espancamento e o nosso pau-de-arara ela seria mais “suave”, além de não provocar muitos danos. O jornalista Christopher Hitchens, que adora uma boa polêmica, quis saber mais. Com a ajuda de soldados que praticam a técnica – não em interrogatórios, mas para que seus colegas de farda aprendam a resistir se caírem nas mãos do inimigo -, ele serviu de cobaia numa sessão de simulação de afogamento. Hitchens, que tem 59 anos e detesta terroristas, contou como foi essa experiência num artigo para a revista Vanity Fair. Não só com argumentos de quem experimentou, ele concluiu: “(…) if waterboarding does not constitute torture, then there is no such thing as torture“.

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Uma resposta to “Waterboard meeting”

  1. Norman Says:

    Esse tipo de coisa ferra com qualquer boa vontade que vc tenha com o McCain. Em um país onde a eleição é baseada mais em princípios que em programas, é comum ver candidatos mudando de opinião ou sendo contraditórios sobre questões bem claras.

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