Archive for junho \30\UTC 2008

George Carlin

segunda-feira, junho 30, 2008

…And what’s all this shit
about children nowadays?
‘Save the children!’
‘Help the children!’
‘What about the children?’
Well you know what I say?
FUCK the children!
Fuck ‘em!
They get entirely too much attention already.

Jerry Seinfeld diria: “What’s the deal with airplane peanuts?“. George Carlin até poderia abordar o assunto dos amendoins, mas daria um jeito de inserir um monte de “fucks” na frase e, pode apostar, mudaria o sentido para ofender religiosos e qualquer categoria de gente com ouvidos sensíveis.

Não muito conhecido no Brasil, Carlin, que morreu no dia 22 de junho, aos 71 anos, foi um dos comediantes de stand-up mais bem-sucedidos e influentes dos EUA.

Agora que o stand-up parece ter conquistado um bom espaço no Brasil, com vários comediantes desse gênero se tornando celebridades e qualquer cidade de tamanho respeitável contar com apresentações regulares, é difícil acreditar que no passado esse tipo de número poderia dar cadeia. Com Carlin foi assim. Como o lendário Lenny Bruce na década de 60, Carlin sempre falou palavrões nas suas apresentações. Em 1972, lançou um LP com o número “Seven Words You Can Never Say on Television“, onde fazia piadas denunciando o absurdo de banir palavrões da televisão e do rádio. Ao apresentar seu número em Milwaukee, foi preso por obscenidade – aliás, as sete palavras são Shit, Piss, Fuck, Cunt, Cocksucker, Motherfucker e Tits. Em 1973, um outro LP que abordava o mesmo assunto foi ao ar sem censura numa rádio nova-iorquina. Mais uma acusão de obscenidade contra Carlin. O caso foi parar na Suprema Corte do país, no que ficou conhecido como “FCC vs Pacifica Foundation”. O FCC (Federal Communications Commission) é o órgão responsável por regulamentar as concessões de televisão e rádio – mas é famoso pelas brigas com o radialista Howard Stern e por aplicar multas pelo que julga ser indecente na televisão. No caso Carlin, a Suprema Corte julgou que o número era “indecent but not obscene“. A FCC ganhou, e os sete palavrões – Carlin adicionaria mais três: Fart, Turd, Twat – desde então só podem ser ouvidos depois das 22 horas, quando as crianças já deveriam estar na cama.

Com a notoriedade ganha no caso, Carlin abandonou um pouco os palcos na segunda metade da década de 70 e se voltou para a televisão – onde ele já tinha aparecido várias vezes no The Ed Sullivan Show e no The Tonight Show. Foi o primeiro apresentador do Saturday Night Live, em 1975. Em 1977, mesmo fragilizado pelo primeiro de três ataques cardíacos que sofreria na vida, gravou seu primeiro especial para a HBO, ainda um canal pago novato. Um grande sucesso, ele faria um total de 14 apresentações no canal, sendo a última delas em março de 2008.

A briga com a FCC pelos palavrões só não foi maior que a cruzada contra o alvo predileto de Carlin: a religião. Como ele próprio explicou: “the duty of the comedian to find out where the line is drawn and cross it deliberately“. Seguiu à risca essa filosofia. Ateu militante, não perdia a oportunidade de ridicularizar os maiores símbolos do cristianismo – e suas piadas são bem mais eficientes que qualquer argumento higienista de um Dawkins. Criou duas frases clássicas: “Atheism: a non-prophet organization” e “Thou shalt keep thy religion to thyself“. É só observar o número de sites dedicados ao ateísmo que lamentaram a morte de Carlin.

Participou de alguns filmes, a maioria esquecível, sendo um deles “Dogma” (1999), de Kevin Smith, que na época deixou muito religioso furioso.

Suas piadas, entregues numa forma quase niilista, mostravam o lado de crítico social. Ainda assim, fazia o tipo mal-humorado (“I’m not giving anything back to the community. You know why? Because I didn’t take nothing. You can search my fucking house.”). Detestava eufemismos, como atestam seus palavrões, e era genial ao brincar com a língua inglesa (“I put a dollar in a change machine. Nothing changed“). Freqüentemente denunciava o lado absurdo do cotidiano americano (“One guy, about a month ago, was given three consecutive life terms, plus two death penalties. How the fuck do you serve that? Even David Copperfield can’t do that shit. In order to do that, you’d have to be a Hindu.”) e nos últimos anos estava cada vez mais indignado com a presidência de George W. Bush.

O mundo fica menos engraçado – less fucking funny – sem Carlin.

Obs: existem centenas de vídeos de Carlin no Youtube.

“Das Runde muss ins Eckige”

quinta-feira, junho 26, 2008

Da comentarista da Record: “A Alemanha se torna letal quando ocupa vastos espaços [do campo]”

A Alemanha está na final da Eurocopa. Mas o resultado de 3 x 2 sobre os turcos não disfarçou o péssimo futebol dos alemães. Foram muitos passes errados, pouca marcação e um memorável frango do goleiro Lehmann. Sorte que a Turquia estava desfalcada, com nove jogadores suspensos ou contundidos. Mesmo assim, os turcos dominaram o começo da partida. Foi só final do primeiro tempo que a coragem e raça dos turcos começou a ser eclipsada pela inexperiência. Nesse jogo, coube aos alemães o papel de turcos que vencem a partida no final. Lahm marcou o terceiro gol da Alemanha aos 45 do segundo tempo.

Foi difícil acompanhar a partida pela televisão. O jogo foi na Basiléia, mas uma tempestade em Viena, de onde o sinal era transmitido, interrompeu a partida três vezes no segundo tempo. O segundo gol da Alemanha se perdeu nesses buracos. Lembrou o “missing reel” do filme “Planeta Terror”. Estranho que a rede Record não tivesse um repórter para telefonar do estádio e informar o que estava acontecendo.

Cecil Beaton

domingo, junho 22, 2008

O pintor ítalo-americano John Singer Sargent, um dos maiores retratistas da segunda metade do século 19, disse que perdia um amigo toda vez que pintava um retrato. O inglês Cecil Beaton (1904-1980) fez de tudo um pouco: artista plástico, figurinista, cenógrafo etc. Tal como John Sargent, também foi retratista. Um dos maiores do século 20. Ao invés dos pincéis, usou a máquina fotográfica. A paixão pela fotografia começou  quando ele tinha 11 anos de idade, ao ganhar uma Kodak 3A de fole, um modelo popular dos anos 10. E, ao contrário de Sargent, Beaton só fez amigos com seus retratos. Aos 23 anos, depois de publicar algumas fotos e montar uma exposição, foi trabalhar em tempo integral para o grupo Condé Nast, que editava as revistas Vogue e Vanity Fair. Tirou retratos que imortalizaram Greta Garbo, Marilyn Monroe, Orson Welles, Gary Cooper, Salvador Dalí e a família real britânica.  Em 2004, o National Portrait Gallery da Grã-Bretanha comemorou o centenário de Beaton com um retrospectiva.

Albert Camus, 1946

O poeta Cecil Day-Lewis, 1942

Carole Lombard. Foto originalmente publicada na revista Vanity Fair, julho de 1931

Loretta Young. Vanity Fair, outubro de 1931

A princesa Elizabeth Alexandra Mary, futura rainha Elizabeth II, aos 16 anos. 1942

Mais fotos de Cecil Beaton podem ser vistas aqui e aqui. Estão no Повседневные хроники агента ЛиUm, seja lá o que isso signifique. É um site russo que, a exemplo do English Russia, tem um acervo gigantesco de ótimas fotos. As galerias das décadas de 60 e 70, cobrindo moda, celebridades e o trabalho de ótimos fotógrafos, são imperdíveis. Os últimos calendários da Pirelli, com todas aquelas moças bonitas, também estão disponíveis. E todas as fotos estão em formatos gigantescos.

O Sportv é uma vergonha ou a partida sumiu

domingo, junho 22, 2008

Mais uma do mundo televisivo, mas desta vez passando longe do aspecto folclórico. Isso é um registro de revolta. Foi um escândalo o que o canal pago Sportv fez hoje com a transmissão da partida Itália x Espanha, valendo classificação para as semifinais da Eurocopa. Primeiro mudaram o canal da transmissão no intervalo da prorrogação, passando a partida do Sportv 1 para o 2. Avisaram, é verdade, mas a partida devia estar estragando toda a programação engessada do canal. Então… que se dane o telespectador!, devem ter pensado os programadores. Que se dane o telespectador porque foi uma vergonha, uma coisa ultrajante o que aconteceu em seguida.  Como a prorrogação terminou no 0 x 0, como em quase todas as quartas-de-final desta edição da Eurocopa, a partida teve que ser resolvida nos pênaltis. E olhem só o que acontece: depois da primeira cobrança, a transmissão foi interrompida! Outra partida, esta do Atlético-PR x Grêmio, apareceu na tela. As cobranças restantes de Itália x Espanha nem foram transmitidas em outro canal. Simplesmente evaporaram para quem tem o azar de contar com o Sportv da Globosat.

Uma vergonha.

Palpite para a Eurocopa: seria interessante a Turquia ganhar o torneio, um título para um país que não está sendo exatamente recebido de braços abertos na expansão da UE. Mas este blogueiro, que admite entender pouco de futebol, aposta nos alemães. Até porque se a Alemanha chegar na final, vai ter a vantagem de jogar em “casa”. A final será disputada em Viena, na Áustria. Preparem os lederhosens.

Na hora errada, no lugar errado

sexta-feira, junho 20, 2008

Sabem aquelas passagens que os repórteres da Globo fazem de uma rua de Nova York para comentar um furacão no Caribe ou uma revolução no Turcomenistão? Estranho, não? Mas não é preciso ir tão longe para fazer a mesma coisa.

A Caixa vai realizar o 4° Feirão de Imóveis em Curitiba, de 20 a 22 de junho. O programa Bom Dia Paraná, da RPC, afiliada da Globo, abordou o assunto ao vivo. Às 7 horas da manhã. Até aí nada de errado. Mas vejam só o lugar que a reportagem escolheu para fazer uma entrevista com um gerente da Caixa: o parque Barigüi, com o centro de convenções ao fundo. O local já recebeu feiras parecidas antes.

Certo… E daí?

E daí que o feirão vai ser realizado no Marumby Expo Center, no outro lado da cidade. (Notem que a matéria nem informa onde vai acontecer o feirão da Caixa.)

A avenida Presidente Wenceslau Braz não serviu como cenário?

“This is London”

quarta-feira, junho 18, 2008

Dezoito de junho de 1940 deve ter sido um dia interessante para quem sintonizou a BBC. No dia que marcou os 125 anos da batalha de Waterloo, dois homens, representantes de nações que combateram naquele campo da Bélgica, um de um país derrotado horas antes daquele 18 de junho, e outro que já tinha convocado seus compatriotas a permanecerem na luta, pronunciaram discursos históricos.

Não fazia dois dias que a França havia concordado em se render aos alemães – que também celebravam a derrota de Napoleão em Waterloo para os prussianos de Blücher, aliados dos ingleses naquele distante 18 de junho de 1815 -, mas o general Charles de Gaulle já cruzara o Canal da Mancha (“O Rubicão de sua vida”) e estava em Londres. Churchill, que tanto havia feito para que os franceses permanecessem na guerra, o deixou ler seu “L’appel du 18 juin 1940“.

O apelo, que pouca gente ouviu na França em vias de ser quase totalmente ocupada, é carregado de impôrtancia para esse país que fez muito pouco para derrotar Hitler. Similar em significado ao discurso de Churchill em 4 de junho (“We shall fight on the beaches“), de Gaulle afirmou que seu país “havia perdido uma batalha, mas não a guerra”. Nesse momento as forças britânicas já estavam completando a Retirada de Dunquerque e os exércitos franceses se rendiam por toda a parte. De Gaulle convocou todos os soldados franceses disponíveis para prosseguirem a luta com ele, em Londres. Com isso salvou um pouco da honra de uma França manchada até hoje pela colaboração com os nazistas.

Vários políticos britânicos se opuseram ao apelo, temendo o efeito sobre os franceses que pretendiam um acordo com os alemães (ou seja, o novo governo de Pétain), mas o sinal verde de Churchill, que já não simpatizava muito com de Gaulle, foi decisivo. Curiosamente, os técnicos da BBC não acharam que o apelo valia uma gavação, e quando o general soube que não havia sido feito um registro, leu tudo novamente no dia 22. Desta vez gravado e ouvido por muito mais franceses – a gravação, que guardou o título “L’appel du 18 juin 1940“, assim como o rascunho e o famoso cartaz “À tous les Français” (este do dia 3 de agosto), hoje é um documento preservado pela Unesco.

Naquela mesma tarde, na Câmara dos Comuns, Churchill pronunciou um de seus mais famosos discursos, o “Their Finest Hour“, em que, longe de admitir uma derrota que naquele momento parecia próxima, afirmava que a luta deveria prosseguir e “if the British Empire and its Commonwealth last for a thousand years, men will still say, `This was their finest hour´“. Como a BBC não dispunha de meios para transmitir diretamente do parlamento, Churchill normalmente lia novamente seus discursos no estúdio, para que o público os ouvisse. Quatro horas depois de sair da Câmara, “Their Finest Hour” foi ao ar.

Uma lenda afirma que Churchill não gravou seus famosos discursos, e que a voz que nós conhecemos na verdade é a do ator britânico Norman Shelley. Bobagem, dizem os historiadores especializados nesse período. Mas “Their Finest Hour” foi com certeza lido no ar pelo próprio Churchill… junto com uns drinks a mais – e ele adorava um whisky. Como lembra o historiador John Lukacs, baseado nas memórias de algumas personalidades da época, a transmissão de 18 de junho foi considerada medonha. Ouvindo a gravação em MP3, é possível perceber que Churchill não estava mesmo em seus melhores dias. De qualquer forma, descontando o estilo por vezes exagerado do discurso (e intelectuais como Evelyn Waugh e George Orwell nunca gostaram dos textos grandiloqüentes de Churchill), ele tem várias passagens marcantes. A frase final, sem dúvida, é uma delas, mas o aviso de que seria melhor não apontar culpados pela situação militar ter chegado àquele ponto, “if we open a quarrel between the past and the present, we shall find that we have lost the future“, também é marcante. Orwell escreveu poucos dias depois que “as pessoas de pouco estudo são com freqüência tocadas por um discurso solene, que na verdade não compreendem mas sentem que impressiona”. O Departamento de Inteligência Interna do Ministério da Informação (que foi alvo do satirista Waugh na sua trilogia “Sword of Honour“) concordaria com Orwell. Num relatório sobre “Their Finest Hour“, o departamento concluiu que a população aguardava os discursos com ansiedade, considerando-os corajosos e esperançosos, mas com a ressalva de que a forma como eram apresentados suscitava todo tipo de comentário sobre o estado de Churchill.

John Luckas também lembra que 1940 marcou os 297 anos da batalha de Rocroi, onde os franceses derrotaram os decadentes espanhóis. Isso foi em 19 de maio de 1643. Cinco dias antes, Louis XIV, com apenas cinco anos de idade, foi coroado rei. Esse período foi marcado pela ascensão da França como maior potência do mundo. Waterloo, em 1815, quando a França disputava influência com a Inglaterra e uma Prússia renascida cada vez mais poderosa, não foi o começo do declínio, mas um catalisador. Em 18 de junho de 1940, a França não era nem sombra do que foi na época de Louis XIV.

Nesse mesmo 18 de junho de 1940, a Grã-Bretanha estava acuada, mas seu império, intacto – mesmo com algumas rachaduras. Os historiadores concordam que a decisão de prosseguir com a guerra, e a conseqüente derrocada financeira do país, acelerou a perda do império. Churchill pode até mesmo ser acusado de “perder a paz” em Yalta.

Mas ele ganhou a guerra.

Obs: Nada a ver com Churchill ou de Gaulle, só um aviso para quem usa o WordPress: a nova versão do Firefox 3 não parece se dar bem com as ferramentas de texto do blog.

Atualização: dia 20/06, o Firefox 3 e o WordPress parecem ter se entendido.

Na China, nem todos os negócios são da…

segunda-feira, junho 16, 2008
South China Mall

Para quem gosta de abandono, o South China Mall deve ser um passeio imperdível

Essa é uma história interessante: o fracasso do South China Mall, o maior shopping center do mundo. Construído em 2005 como mais um símbolo do gigantismo chinês, o South China Mall tem o número impressionante de 1.500 lojas, ou melhor, de quase 1.500 espaços ociosos, já que apenas uma dúzia deles permanece ocupado. As atrações do shopping são reproduções de canais de Veneza e outras paisagens ocidentais, mas elas permanecem quase completamente vazias.

Difícil falar em decadência em apenas três anos, como mostra o site da Bloomberg: o South China nunca pareceu ser um negócio viável. Dongguan, a cidade desse elefante branco, tem mais de 6 milhões de habitantes, mas, como em toda a China, a maior parte da população ganha pouco e prefere economizar.

Descontando a escala monumental e a falta de consumidores, lembra os incontáveis pequenos shoppings brasileiros que foram construídos no começo do Plano Real, e, aos poucos, foram fechando as portas diante da concorrência de empreendimentos maiores e mais atraentes. A revista Istoé, nessa matéria de 1999, mostrou o naufrágio desses shoppings que prometeram muito e acabaram sendo um fracasso.

O jornal em língua inglesa The National, dos Emirados Árabes Unidos, que conta com jornalistas do The Daily Telegraph, The Times e The Wall Street Journal, fez uma excelente matéria sobre o South China Mall (via Boing Boing). De quebra, indica um site americano feito por gente que se interessa em registrar shoppings abandonados dos EUA e Canadá: o Deadmalls.com.

Ve still vant ze money, Lebowski

quinta-feira, junho 12, 2008

Esses são os deputados paranaenses que votaram a favor da criação da nova CPMF:

PMDB
Hermes Parcianello
Marcelo Almeida
Moacir Micheletto
Odílio Balbinotti
Osmar Serraglio

PP
Nelson Meurer
Ricardo Barros

PR
Airton Roveda

PR
Chico da Princesa
Giacobo

PSC
Takayama

PT
Angelo Vanhoni
Dr. Rosinha*

PDT
Alex Canziani

A criação da CSS (Contribuição “Social” para a Saúde; as aspas são minhas), como é chamada a nova CPMF, ainda está longe de se concretizar, já que o placar apertado (apenas dois votos de diferença) na Câmara não foi suficiente para uma emenda constitucional e sinaliza que o o governo vai encontrar dificuldades no Senado, que ainda precisa votar o projeto.

* O Dr. Rosinha também é defensor do “Imposto Sobre Grandes Fortunas” (IGF). Na opinião do deputado, grandes fortunas deveriam ser taxadas com uma alíquota progressiva entre 0,8% a 1,2%.

Peguem esses bilionários sonegadores! Mas, peraí… O que são exatamente grandes fortunas? Para o deputado, é qualquer patrimônio superior a um milhão de reais – isso mesmo, qualquer pessoa que ao somar o carro, apartamento e casa de praia tenha um milhão de reais, é considerada detendora de uma “grande fortuna”.

“Ronald Reagan? The actor?”

quinta-feira, junho 12, 2008

Reagan discursa em Berlin Ocidental. O vidro atrás dele era à prova de balas. Precaução contra possíveis atiradores em Berlin Oriental.

Vinte e um anos atrás, em 12 de junho de 1987, Ronald Reagan discursou para uma multidão de 20 mil pessoas em Berlin Ocidental. Em frente ao Portão de Brandenburgo, ainda atrás do muro, em outro país, num pedido enérgico ele disse uma das frases mais famosas da Guerra Fria: “Mr. Gorbachev, tear down this wall!“.

Foi um momento de triunfo para Reagan. E quando ele morreu, em 2004, as revistas Time e Newsweek estamparam em suas capas a mesma foto de Reagan em frente ao Portão-Muro. Não é Churchill em “Aces High” do Iron Maiden, mas comparável ao “Ich bin ein Berliner” de Kennedy, 24 anos antes.

Goste-se ou não de Reagan (e em Berlin Ocidental, no dia anterior à visita, um protesto anti-EUA reuniu 25 mil pessoas), “Tear down” é um discurso que ficou na história. Na época, com exceção de alguns protestos da agência soviética Tass, o texto quase passou em branco. Depois de sete anos de presidência, Reagan já era uma figura menor, em parte pelo escândalo Irã-Contras. Mas as palavras foram ganhando importância com o queda do muro dois anos depois.

O discurso, assim como o famoso pedido a Gorbachev, foi escrito por Peter Robinson, na época redator da Casa Branca (que tem uma tradição de redatores talentosos, sendo o ex-colunista do New York Times Wiliam Safire o mais famoso). Ele conta mais sobre a elaboração do texto e a visita de Reagan na página do Arquivo Nacional dos EUA.

Die Brücke

quinta-feira, junho 12, 2008

Por motivos óbvios, a Alemanha não tem muita tradição em filmes de guerra. “Die Brücke”, de 1959, um filme não muito conhecido no Brasil, é, junto com “Das Boot”, uma exceção. Como não poderia deixar de ser, é um filme pacifista que denuncia a futilidade da guerra – “Nada de Novo no Front” vem imediatamente à mente.

Só alguém muito estúpido ou fanático (estou sendo redundante) poderia estar feliz em servir na Wehrmacht em abril de 1945. Mas é isso que acontece com um grupo de garotos de um vilarejo alemão ainda não muito afetado pela guerra. O falecido diretor Bernhard Wicki (que dirigiu as seqüências alemãs de “O Mais Longo dos Dias”) nos mostra como é o dia-a-dia desses garotos antes deles serem atirados nos horrores de um combate. Não é muito interessante, tirando uma ou outra cena sobre decepção ou pais temerosos com o destino de seus filhos, o cotidiano deles parece um tanto artificial nessa cidade sem refugiados e Juventude Hitlerista. É na véspera do combate e na luta em si que Wicki realmente consegue prender a atenção do espectador. E como ele consegue chocar. Os garotos recebem uma missão de vigiar a ponte local até a equipe de demolição chegar. Um incidente faz com que o sargento responsável, o único homem, esteja ausente. E assim os garotos resolvem lutar contra os americanos. Um a um eles vão morrendo.

Fanáticos por filmes de guerra devem adorar a cena da panzerfaust queimando o rosto de um civil, assim como a chocante morte de um G.I. americano, que fica com as tripas para fora ao ser baleado depois de implorar aos garotos (“kindergarten”) que voltem para casa. Tudo isso com uma qualidade impressionante para um filme do final dos anos 50. O ronco dos tanques americanos se aproximando é assustador, e um aviso que a guerra, em especial aquela guerra, é coisa para gente grande. Manter aquela ponte era coisa mais fútil que eles poderiam ter feito. Isso fica óbvio numa cena emblemática e bastante devastadora de um comboio de caminhões repletos de soldados feridos e desesperados passando pela ponte, e deixando os garotos para trás. Uma das melhores seqüências sobre o caos e futilidade que caracterizaram a Alemanha naqueles últimos dias da guerra.