Archive for maio \31\UTC 2008

“Insufficient data for meaningful answer”

sábado, maio 31, 2008

Em 2008, um computador chamado Multivac faz perguntas para um “eleitor representativo” previamente escolhido, uma pessoa comum, e calcula com exatidão qual vai ser o presidenciável vencedor. Tudo isso sem precisar passar pelos incovenientes de uma eleição normal. A idéia saiu da imaginação de Isaac Asimov, e está registrada no conto “Franchise” (“Eleição”, saiu no Brasil na coletânea “A Terra tem espaço”, atualmente esgotada). Norman Muller, o eleitor escolhido como “Voter of the Year“, e que vai ser submetido ao Multivac – computador que aparece também em outros contos do autor -, aceita a tarefa com temor, imaginando que se o resultado for ruim, vão botar a culpa nele. Depois das conclusões do computador, Muller fica surpreso que a população está feliz por ter exercido o direito de votar.

“Franchise” é um conto irônico – e faz um paralelo com as pesquisas de opinião da época (1955) -, mas, tirando o “futuro próximo” 2008, é um tanto complicado traçar um paralelo com a eleição americana deste ano. Eu, num post anterior, tinha apostado que Hillary ia levar facilmente a indicação democrata. Ela ainda não desistiu da corrida, mas é mais que provável que o faça. Errei. Não tinha imaginado a “Obama Fever“, nem o conseqüente desgaste do Partido Democrata. Muita gente errou também. E não foi só com Hillary: McCain também foi uma zebra. Ano passado ninguém teria apostado no senador e veterano de guerra. Ele não tinha dinheiro e era visto com desconfiança pelos eleitores mais conservadores do seu partido. Conseguiu também (por enquanto) contornar as críticas à sua idade avançada e levou a indicação. Agora, o único interesse imediato em sua candidatura é saber quem ele vai escolher como vice. Será um conservador para agradar essa ala do partido? Alguém mais liberal para conquistar os indecisos?

As redes de TV como a CNN e a FOX News adoram abordar as tendências eleitorais de certos grupos (brancos, negros, latinos, brancos de classe média, brancos universitários, ex-militares, operários, americanos no exterior, negros religiosos, caipiras armados etc). Para dividir e identificar, o Multivac existe, na forma de “quadros mágicos” (CNN) e outros gráficos. O problema mesmo é segurar essas conclusões e somá-las em novembro. Até lá vai ser um longo caminho. Pesquisas podem mostrar vantagem de um candidato sobre o outro para, na semana seguinte, inverter os resultados – Bush, por exemplo, estava empatado com Gore em maio de 2000. A febre Obama também não é um identificador confiável. Nas prévias do Partido Democrata, Obama levou em Estados que não contam muito na eleição de novembro (é importante ter em mente o sistema de colégio eleitoral) e em prévias que eram abertas para qualquer eleitor. Ganhou ainda nos Estados em que o sistema de caucus (um colegiado) decide. Hillary levou em Estados importantes, e seu eleitorado tem o perfil de votantes regulares. Nos EUA, nem todo mundo tem paciência para se registrar e sair de casa no domingo para votar – a febre pode apenas ser quente enquanto novidade. E na provável candidatura de Obama, Hillary vai ter um papel de destaque?

As próximas prévias vão acontecer dia 3 de junho (terça-feira). Estão em jogo Dakota do Sul e Montana. Talvez a indefinição acabe.

Cadê o Multivac?

Flughafen Tempelhof

sexta-feira, maio 30, 2008

Em tempos de apagão aéreo, overbooking e filas intermináveis é difícil imaginar que voar já foi um sinal de status e um sinônimo de luxo. Um ícone dessa era, e um epaço que poderia resumir boa parte da história do século 20, o aeroporto de Tempelhof, em Berlin, teve seu destino selado. Na contramão do Brasil, que insiste e até promove aeroportos como o sobrecarregado Congonhas, mas também beneficiado por uma malha ferroviária das mais eficientes, as autoridades de Berlin decidiram fechar o histórico aeroporto da cidade, que se tornou pouco prático para atender aeronaves cada vez maiores e ficou ilhado no meio da expansão urbana. Nos últimos meses um grupo de cidadãos contra o fechamento se organizou e pediu um plebiscito, mas a apatia dos eleitores (eram necessários 25% dos votos), que não se incomodaram em sair de casa, não conseguiu mudar a decisão. Tempelhof fecha em outubro.

É uma decisão triste, mas talvez necessária. Nos tempos do Muro, Berlin era servida por quatro aeroportos – tudo em duplicata por causa da divisão da cidade. Com Tempelhof também se aposenta o aeroporto de Tegel, construído pelos americanos – o aeroporto em que meu avô levou meu pai para assistir à interminável fila de C-47s que traziam comida para a cidade durante o Bloqueio de Berlin, em 1948; um belo espetáculo para uma criança de sete anos. Tegel fecha em 2011. Todos os vôos vão ser concentrados em Berlin-Schönefeld, o aeroporto que servia a antiga parte oriental da cidade, bem afastado do centro. A expansão de Schönefeld está sendo vista com entusiasmo, já que o aeroporto vai criar 40 mil empregos numa área onde a taxa de desemprego é bastante alta. A estimativa é que a partir de 2011 aeroporto vai atender 25 milhões de passageiros por ano.

Um prédio na história

Mais que um aeroporto, Tempelhof é como um museu, mas não no sentido de repositório de objetos: cada parede e metro da pista contam uma história diferente. O exemplo mais próximo seria o carioca Santos-Dumont, ainda que mais pela beleza do que significado histórico. Seu edifício principal é enorme: é listado como o 18° maior prédio do mundo, sua fachada tem 1.230 metros de comprimento. Uma construção imponente em art déco, erguida entre os anos de 1936 e 1941 por Ernst Sagebiel, que pretendia impressionar os visitantes e transformar o aeroporto em símbolo daquela que se acreditava ser a nova capital de uma Europa dominada pelos nazistas. Sagebiel também é autor da antiga sede da Luftwaffe nazista na cidade, prédio atualmente ocupado pelo Ministério das Finanças.

Sonhos delirantes. O edifício foi bastante castigado durante os bombardeios da Segunda Guerra, várias partes do aeroporto também nunca foram completadas, e posteriormente ele acabou sofrendo várias alterações feitas pelos americanos, que assumiram o local depois da divisão da cidade. O imponente hall de entrada teve sua altura de três andares reduzida e foi instalada um base militar da USAF no local. Nos anos da Guerra Fria, Tempelhof foi um aeroporto misto, recebendo aeronaves militares e vôos comerciais. Na década de 70, com os aviões ficando cada vez maiores, grandes companhias como a Pan Am e a British Airways transferiram suas atividades para Tegel. Com o fim da Guerra Fria, em 1994 a USAF entregou suas instalações para o governo alemão. Com cada vez menos vôos (ano passado o aeroporto só atendeu 350 mil passageiros), Tempelhof foi definhando.

Mas a história de Tempelhof não começa com os nazistas e seus sonhos de grandeza. Tempelhof, como o nome diz, era um local pertencente à Ordem dos Cavaleiros Templários. Embora não tenha sido usado militarmente na Segunda Guerra, por séculos o campo de Tempelhof foi associado com essas atividades. Era lá que os soldados do exército prussiano faziam exercícios militares e, durante o II Reich, era comum ver o kaiser assistindo demonstrações no local.

Os vôos começam em 1909, com o francês Armand Zipfel, seguido justamente por um dos pais da aviação, Orville Wright, que conseguiu voar por um minuto num vôo de demonstração. Em 1926, foi construído o primeiro terminal, que logo abrigou a Lufthansa. Aviões ofereciam vôos para a Suíça. Zeppelins, invenção sempre identificada com os alemães, passaram a usar o aeroporto. Os nazistas derrubaram o velho terminal, e o atual aeroporto é um dos poucos exemplos do que sobrou do seu regime.

Aquele que já foi um dos aeroportos mais movimentados do mundo, Tempelhof também foi cenário de vários filmes. Em “Indiana Jones e a Última Cruzada”, o personagem de Harrison Ford embarcava escondido num zeppelin que decolava (esse termo se aplica aos zeppelins?) do aeroporto. O terminal principal também pode ser visto em “One, Two, Three” (“Cupido não tem bandeira”, no Brasil), de Billy Wilder, e “A Supremacia Bourne”.

O destino de Tempelhof ainda é incerto. A construção é tombada pelo Patrimônio Histórico da cidade, mudanças drásticas não podem ser feitas. Algumas companhias cinematográficas alemãs mostraram interesse em transformar o local em um estúdio. O Museu Aliado da cidade também já manifestou que pretende assumir Tempelhof. A única certeza é que a era da aviação na”mãe de todos os aeroportos” – como classificou o arquiteto Normam Foster – terminou.

Obs: na terça-feira (27 de maio) foi celebrado os 60 anos da Ponte Aérea de Berlin na abertura do Festival Aéreo da cidade. Vários veteranos americanos participaram, incluindo Gail Halverson, o piloto que jogou chocolates do seu C-47 para as crianças berlinenses. A cerimônia principal foi realizada, ironicamente – ou com um mau gosto não intencional-, em Schönefeld.

O novo Indiana Jones é uma bomba

quinta-feira, maio 29, 2008

Spielberg got lost in his own museum?

George Lucas está se tornando um especialista em frustrar grandes expectativas e esperas intermináveis. Foram 19 anos para desenvolver um roteiro para o novo Indiana Jones, e ele, junto com David Koepp, acabou entregando esse “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”. Mesmo Spielberg, que alternando altos e baixos nesses 19 anos conseguiu manter um padrão de qualidade, parece estar cansado. “Caveira de Cristal” está mais para o péssimo “Rambo IV” do que o até bem-sucedido “Duro de Matar 4.0”, se for para ficar nessas continuações tardias. Faz feio até mesmo se comprado à série de TV “O Jovem Indiana Jones”.

A história do filme é a seguinte: em 1957, um bando de russos – que aqui assumem o lugar dos nazistas como vilões – seqüestram Indy e o forçam a encontrar uma caixa na famosa Área 51. O conteúdo é magnético e esconde um ET (!). Tiroteios, uma bomba nuclear e perseguições depois, Indy escapa e acaba sendo interrogado pelo FBI. Perde o emprego de professor. Um rapaz (Shia LaBeouf) que afirma ter sido criado por um antigo amigo de Indy (Ox, John Hurt), aparece e pede ajuda para salvar sua mãe, que é refém dos russos. Perseguições depois, eles embarcam para o Peru à procura da tal caveira de cristal. Um segredo sobre o rapaz e Indy, que a essa altura já é bastante óbvio para o espectador, é revelado. A parceira romântica de Indy no primeiro filme, Marion Ravenwood, interpretada por Karen Allen (o tempo é cruel com as pessoas), aparece em cena. Com os russos no encalço, eles partem para devolver a caveira ao seu lugar. Mas aí a trama toda já se tornou bizantina demais.

O roteiro é, sem dúvida, a maior fraqueza do filme, mas as interpretações também não fazem melhor. Os russos-estão-chegando são liderados por Cate Blanchett, que aqui faz uma Ninotchka-dominatrix-com-poderes-mentais (“a favorita de Stalin”) que é ruim até o osso. Um inglês chamado Mac, (Ray Winstone) que fez amizade com Indy na Segunda Guerra, é o personagem dúbio que repetidamente trai todo o grupo que o acompanha. Essa amizade é estranhamente apresentada. O filme não tem muito a dizer sobre a relação desses dois homens, e o ritmo alucinante da trama não permite que eles tomem um cafezinho ou analisem a relação – o que também acontece com todos os personagens. Karen Allen está totalmente subaproveitada. John Hurt está patético e são dele algumas das falas mais constrangedoras do filme – “the space between spaces” merecia que seu peito explodisse. Shia LaBeouf está abominável como o apoio de Indy, e seu cópia barata de Marlon Brando parece ter sido mesmo escrita apenas para ser um rosto “jovem” num bando de velhos e assim atrair adolescentes. Mesmo Harrison Ford, que mostra ainda ser capaz de usar o fedora e encarnar um dos personagens mais queridos do cinema, vai decepcionar o espectador. Indy está excessivamente sardônico, respondendo qualquer pergunta com tiradas rápidas que logo se tornam cansativas.

Qualquer aventura do desenho Duck Tales é mais criativa que o novo Indiana Jones. Os filmes anteriores já “pegavam” idéias de aventuras mais antigas (“Templo da Perdição” de “Gunga Din”, “Última Cruzada” do francês “L´as des As”; grandes filmes), mas o novo Indy parece ter se inspirando em coisas de qualidade duvidosa, como “Stargate”, o até divertido “Alien vs Predador”, “A Lenda do Tesouro Perdido” e o próprio pastiche “A Múmia” (você já viu as formigas antes), assim como no ritmo exagerado de “Piratas do Caribe”. Tudo isso com uma trama constrangedora de ETs que deixaria orgulhoso o picareta Erich von Däniken. “Goonies”, que também é plagiado, deixa “Caveira de Cristal” no chinelo.

Não há nada de grave nos erros factuais do filme – os anteriores já estavam cheios disso -, mas “Caveira” é repleto de erros de lógica. A afirmação de Indy de que aprendeu quéchua (língua dos Andes) com o mexicano Pancho Villa pode deixar acadêmicos de cabelo em pé, mas o espectador vai ficar mais indignado com os poderes da caveira. Ora ela é magnética, ora ela deixa de ser. E por que diabos eles foram até a Área 51 se a caveira sempre esteve no Peru? Como alguém pode permanecer sentado num veículo anfíbio depois dele cair por duas cachoeiras? O que aconteceu com a caveira do corpo recuperado na área 51? Bah… Não adianta insistir.

Com um roteiro fraco – e o dedo de Lucas, que deve ter enfiando todos aqueles cães da pradaria e macacos no filme -, era de se esperar que pelo menos o filme tivesse o clima dos anteriores. Errou de novo. Não há suspense nem antecipação quando Indy e sua turma entram nas ruínas, nada de misterioso ou curioso nas histórias por trás da caveira. Isso parecia acontecer quando nativos cercavam Indy e sua trupe (é, ele nunca está sozinho), mas a cena logo acaba e parte para outro cenário exótico. Logo no começo, a cena da área 51 em que o espectador tem um rápido vislumbre da arca do primeiro filme serve como o exemplo perfeito de que “Caveira” não vai entregar nada do que foi visto nas aventuras anteriores. As tão elaboradas cenas de perseguição acabam saindo pela culatra por serem demasiadamente exageradas. O duelo de espadas em veículos que disparam por uma Transamazônica duplicada que nunca acaba (“You fight like a young man: quick to begin, quick to finish”) só não é pior que a performance de Shia LeBoeuf encarnando Tarzan nos cipós. Ninguém fuma nesse filme família que pretende representar a década de 50 e a caveira do título nada mais é que uma peça barata de plástico e papel alumínio plagiada dos monstros de “Alien”. Em toda a brincadeira foram gastos 200 milhões de dólares.

No final, como era de se esperar, o vilão derrete e o cenário desmorona. O filme tinha desmoronado muito antes.

Uma vergonha.

Obs: “Templo da Perdição” e “Arca Perdida” eram VHS sempre alugados em casa, mas assisti “Indiana Jones e a Última Cruzada” no finado Cine Itália de Curitiba. Tinha apenas seis anos. Foi uma das melhores coisas que já tinha visto. Zeppelins, alemães malvados, tanques de guerra, caças, o sobrenatural. Meu pai, que nunca foi um grande fã, teve que levar eu e meu irmão mais duas vezes para assistir, de tanto que insistimos. Ele sempre será parte da minha infância. Depois do filme, eu gostava de pegar um pequeno caminhão Playmobil e enfiá-lo de ponta cabeça no canhão de um tanque Comandos em Ação, imitando uma das cenas mais famosas da aventura. Duvido que “Caveira de Cristal” tenha essa capacidade de encantar uma criança.

A man’s library is a sort of harem

quarta-feira, maio 21, 2008

Tem sebo novo em Curitiba. O nome é Kapricho, e está muito bem localizado na rua Comendador Araújo 432 (o último número está faltando na fachada), Centro/Batel, quase na esquina com Brigadeiro Franco, num local onde antes funcionava uma revistaria e papelaria. Já conta com bom acervo, e a seção de livros de guerra é impressionante: dezenas de volumes ilustrados sobre armas, uniformes militares e aviões que pertenceram a um colecionador paulistano recentemente falecido. As seções de literatura e artes também são interessantes, ainda que não estejam adequadamente organizadas (primeiro nome do autor não dá certo). O ponto parece ser uma garantia de que o sebo vai ter bastante rotatividade de material – o que, infelizmente, não é regra em muitos sebos da cidade, em especial os da região do Largo da Ordem. O atendimento também é bom.

Os preços não são nenhuma maravilha, mas são mais baixos que os praticados por outros sebos. Há, claro, alguns livros somente um pouco mais baratos que os vendidos em megastores. Com origem em Londrina, o Kapricho também é “primo” do Sebo Líder, instalado na Emiliano Perneta – e que pratica os preços mais absurdos de Curitiba, independente dos livros serem tranqueiras sem valor ou terem origem em uma ponta de estoque. Vale lembrar que o Líder, embora tenha dado sinais de que pretendia explorar desde o começo, não era o tubarão que é hoje. Portanto, é melhor ficar atento ao Kapricho.

Comprar pela internet nunca vai substituir o prazer de “caçar” livros em estantes, mas tem a vantagem de proporcionar uma comparação de preços. Depois de várias tentativas frustradas de conseguir desconto no Sebo Líder, prometi que nunca mais colocaria os pés no estabelecimento. Ao Kapricho vale a pena dar uma chance.

Livros adquiridos no Kapricho:

“Churchill´s War” – David Irving
“A Destruição de Dresden” – David Irving (Sei que Irving é um maldito anti-semita incurável, mas parte de seu trabalho não contaminado tem valor. “Destruição” (1963) foi o primeiro livro de Irving e um sucesso editorial; já “Churchill´s” (1987) é de uma fase em que o autor já estava bastante desacreditado.)
“The Rise and Fall of the British Empire” – Lawrence James
“Imperium” – Ryszard Kapuściński (Faz anos que este livro está fora de catálogo – recentemente comprei “A Guerra do Futebol” do mesmo autor.)
“Por que o Ocidente Venceu” – Victor Davis Hanson
“Mistério à Americana” – vários autores
“The Papacy” – Paul Johnson
“O Golem” – Isaac Bashevis Singer
“Inimigos, Uma História de Amor” – Isaac Bashevis Singer

BBC’s flying penguins

segunda-feira, maio 19, 2008

Cleese como “Mr. Hilter”

Deixe a justiça, a moral e o genocídio um pouco de lado: os alemães (“Jerry”) já mereciam perder as duas guerras só por não possuírem o humor extraordinário dos ingleses. Vejam só o que a BBC foi capaz de fazer com Terry Jones e um bando de pingüins no 1° de abril.

Obs: uma faceta do ex-Monty Python que eu não conhecia. Jones também é colunista político.

A terra prometida dos biarticulados

sexta-feira, maio 16, 2008

Um amarelinho para ilustrar

Photo by Mathieu Struck
Licensed under CC-BY-NC-ND

Foi pura reciclagem da velha propaganda lernista a reportagem especial sobre o transporte urbano que foi ao ar pelo Jornal Nacional no dia 15/05. Parecia que a televisão estava sintonizada em algum dia de 1988-2002. Só faltou a Família Folha. O sistema de transporte coletivo de Curitiba foi mostrado como um exemplo de eficiência. Não bastasse essa sandice, um urbanista afirmou que “São Paulo precisa imitar Curitiba”. Ignorando por completo que agora se estuda construir um metrô para Curitiba. Também ignora, apesar de terem achado uma personagem que vendeu o carro porque prefere ônibus (!), que Curitiba caminha rapidamente para a equação “um carro = um habitante”, e que o trânsito por aqui está cada vez pior.

Curitiba não é São Paulo, mas o que se viu na reportagem foi que a propaganda lernista tem o efeito de um sinal de rádio no vácuo espacial, ainda vai durar décadas. O sistema de Curitiba (e que aqui falo da espinha dorsal, os biarticulados) é sem dúvida original, como nossa aranha marrom, mas não em eficiência. É original porque não se pode levar a sério – e fora de Curitiba, ninguém nunca levou, visto que nenhuma outra cidade do mesmo porte resolveu deixar o grosso de sua população ser transportado num sistema tão estúpido. Os ônibus são lentos, barulhentos, seu combustível está sempre sujeito à variação do preço do barril (e seria tão fácil eletrificar os corredores, fazer trólebus, e como bônus eliminar o barulho), lotam rapidamente e o intervalo entre cada um nunca é fixo. E o que dizer das estações-tubo? São pequenas demais, o projeto de somente uma porta de embarque teve como conseqüência passageiros lutando uns contra os outros para poder passar – nos terminais, com as cinco portas sendo utilizadas, não é melhor, já que o embarque e desembarque são feitos pelas mesmas portas -, são frias no inverno e se transformam em fornos no verão. Mas o problema essencial é a superlotação. Rosa Parks, se fosse daqui, nunca ia conseguir ir para a frente do ônibus.

Na reportagem, os tenebrosos corredores de ônibus, com destaque para o da Sete de Setembro, avenida que pela ausência de árvores e excesso de feiúra parece ter sofrido um raide de mil B-29s, aparecem como uma solução. Até mesmo a estação-tubo da Eufrásio Correia, estreita como o Chile, um espaço onde é impossível se deslocar com rapidez e conforto para fazer uma baldeação, o melhor exemplo de como o sistema de biarticulados é totalmente equivocado, foi descrita como fazendo parte de “estações que permitem acesso rápido sem escadas”. Só isso.

Sobrou propaganda e faltou conferir o transporte nos horários-chave. Não sei ao certo qual foi o dia e horário da captura das imagens, mas, sem dúvida, não foi numa hora das mais movimentadas. Sobrava espaço até mesmo nos ônibus, e não havia muito trânsito nas ruas.

O pior mesmo ficou para o final, quando a reportagem fez uso novamente da personagem, a mulher que “reconhece o valor de morar numa cidade planejada para o transporte coletivo”, para concluir a história. Ela disse que ia pensando na vida quando pegava o ônibus. Na hora do rush, espremido como uma sardinha, eu também penso na vida. Em como ela pode ser uma merda.

Link para a reportagem.

Indy, there is something that troubles me

quarta-feira, maio 14, 2008

Desta vez não tem o Belloq. Mas os alemães ainda não desistiram.

Termos de motor de busca

terça-feira, maio 13, 2008

“Estes são os termos que as pessoas utilizarão para encontrar o seu blog”:

corrida de bigas
ilha francesa requião
fodas entre empregadas e patrões
fotos impressionantes da biopirataria
Armas de gostosas
os normais 3 temporada
russa gostosa
asmas gostosas
Contra o tabaco versos
napolião bonaparte (sua infansia)
gostosas russa
corrida de bigas
cuba terra da liberdade
estampa em camiseta são joão 2007

To Kill a Southern Lapwing

segunda-feira, maio 12, 2008

“L’oiseau mort ou Un enfant hésitant de toucher un oiseau dans la crainte qu’il ne soit mort“, de Jean-Baptiste Greuze (Museu do Louvre)

A cerveja não fez falta para apreciar a bela partida entre Coritiba e Palmeiras no Couto Pereira, tarde de domingo (11/05). A liminar que autorizava a venda de bebida, desafiando determinação da CBF, acabou cassada. Sobrou o jogo. Além dos gols de Hugo e Michael, destaque para a morte de um quero-quero, atingido em cheio pela bola no segundo tempo, e logo retirado pelo palmeirense Denílson.

A palavra é quero-quero:

Não há muita coisa interessante sobre os quero-queros (Vanellus chilensis) que não seja senso comum. São aves briguentas e extremamente territoriais. Nunca se empoleiram, preferindo campos abertos. A preferência por descampados faz o quero-quero disputar com os urubus o título de ave que mais oferece perigo à aviação civil.

São encontrados em quase todo o Brasil, mas são mais comuns no Sul. Os anglo-saxões o chamam de Southern Lapwing. Os espanhóis de Tero. São superprotetores com a cria. Uma das defesas é gritar de maneira insistente e levar os predadores para longe dos ovos. Na Argentina e Uruguai existe a expressão de recriminação “hacer como el tero“, gritar de um lado para proteger outro interesse – o uso mais comum é para criticar políticos. O quero-quero também é a ave símbolo do Uruguai, e adorna a camisa da seleção de rugby do país, conhecida como “Los Teros“.

Homenagem apropriada, o quero-quero é nome de estádio em Alvorada, Rio Grande do Sul. O “Morada dos Quero-Queros” do RS Futebol Clube.

Maiden in Brazil

segunda-feira, maio 12, 2008

O Iron Maiden foi o assunto do programa “Art of Life” na CNN – com destaque para os shows de São Paulo e Curitiba.

O programa, dividido em três partes, pode ser visto aqui.