He finally really did it!


Morre o ator americano Charlton Heston

Pope Julius II: When will you make an end?
Michelangelo (Heston): When I am finished!

Bom e velho Charlton Heston. Não era o melhor dos atores, boa parte de sua carreira foi repleta de épicos que são puro lixo… e ainda assim ele era um dos melhores, um dos últimos.
Combateu romanos, japoneses, egípcios, chineses, franceses, vampiros, um papa, policiais corruptos, nazistas, fanáticos islâmicos, macacos e formigas saúvas – sempre como Heston. Era facilmente identificável com o ideal de herói. “If you need a ceiling painted, a chariot race run, a city besieged, or the Red Sea parted, you think of me.

Sempre foi engajado, e inicialmente seu papel foi fazer campanha pelos direitos civis e propagandear a “Grande Sociedade” de LBJ. Até que bandeou para o lado conservador que incluía John Wayne e seu amigo Ronald Reagan. Pela sua associação com a NRA, uma certeza de discursos lamentáveis, ficou marcado como direitão, e seu passado pelos direitos civis foi convenientemente esquecido. Foi presidente do sindicato dos atores mas preferiu se manter longe da política. “I’d rather play a senator than be one.” Nos últimos anos, o ator que tinha chorado na frente da Estátua da Liberdade arruinada de “O Planeta dos Macacos” tinha se tornado mais pessimista, lamentando o que os EUA estavam se tornando. Jean-Luc Godard dizia que odiava o John Wayne de “Os Boinas Verdes” (filme de propaganda sobre a Guerra do Vietnã), mas amava o que estendia o braço para sua sobrinha criada pelo índios de “Rastros de Ódio”. Seria estúpido não lembrar de Heston da mesma maneira.
No caso de atores como Heston, os obituários costumam citar os papéis e fatos relevantes da vida pública e pessoal, não tendo muito o que dizer sobre interpretação. Heston não fazia as macaquices afetadas de Marlon Brando, sendo que estava mais para Gregory Peck ou, quem sabe?, John Wayne. Seu carisma era suficiente. Sua beleza parece estranha para os padrões de hoje, mas seu aspecto forte era ideal para o que ele representava, sempre o tipo de homem determinado para quem a vontade é o que basta. Era contido, o que dava a seus momentos de fúria um destaque especial, sempre auxiliado por alguma frase genial – “Soylent Green is people!” e “Take your stinking paws off me, you damn dirty ape!” são coisas que não saem da cabeça facilmente. Fez mais bombas que a Krupp, mas interpretou papéis inesquecíveis – como imaginar outro sujeito na pele do Taylor de “O Planeta dos Macacos” ou Ben-Hur? Também trabalhou com diretores de primeira linha como William Wyler, Franklin J. Schaffner, Carol Reed e Orson Welles.

Tinha seu lado rídiculo, e vários de seus papéis são deliciosamente risíveis – o fazendeiro virgem que reluta em dormir com sua esposa encomendada pelo correio e lá pelo final é quase devorado por saúvas em “A Selva Nua” valeu um comentário de Paulo Francis de que “nossa vida seria infinitamente mais árida sem a chamada meca do cinema”.

Heston tinha 84 anos.

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2 Respostas to “He finally really did it!”

  1. Galeb Says:

    Muito bom.
    http://whiplash.net/materias/curiosidades/071235-beatles.html

  2. Thiago Says:

    Podia ser publicado na New Yorker.

    Abrax!

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