Invasores


Nicole, você é uma gracinha, mas o seu novo filme é uma porcaria

O negócio de refilmar velhos sucessos é velho, velho mesmo. Ben-Hur de 1959, por exemplo, é a terceira – e melhor versão – da história do judeu que participa da corrida de bigas. Refilmagens como Ben-hur se saíam bem porque tinham gente ousada por trás das câmeras, e também porque não eram meras atualizações de velhos filmes. Fazer uma versão colorida de um velho clássico, como aconteceu com Psicose em 1998, ou reciclar uma sátira de época (To be or not to be, de 1983) que já não tem mais efeito, é sinal que há algo muito errado em Hollywood.

Aliás, a mania de refilmar está cada vez insana. É só digitar “refilmagem” no Google e depois ler que até porcarias como Brinquedo Assassino e Timecop podem ganhar novas versões.

Agora é a vez de Invasion of the Body Snatchers de Don Siegel, 1956, que ganha uma terceira refilmagem. O resultado é o lamentável Invasores (The Invasion, 2007). A história de Invasion of the Body Snatchers era algo nascido para ser perturbador: os humanos sendo substituídos por cópias que nascem de uma espécie de vagem que veio de espaço. Essas cópias, externamente idênticas aos humanos que substituíram, têm uma diferença: não sentem emoções; a sociedade, sem amor, agressividade e tal, acaba ficando pacífica. Coisa de filme B, mas eficaz.

A premissa é ótima, cheia de possibilidades, mas a nova versão – que trocou as vagens por um vírus – só oferece o óbvio, e com a infeliz adição de dispensáveis cenas de ação. (Quem em sã consciência vai levar a sério que o destino da humanidade depende da habilidade de fuga de uma Nicole Kidman dirigindo em desespero?) Toda a tensão dos outros filmes, com os personagens sem entender o que se passa e os vilões agindo de maneira calculista, quase não foi explorada. O filme acaba virando uma correria para se descobrir uma cura para a infecção provocada pelo vírus alienígena. O desenrolar da trama já era sofrível, mas o final consegue enojar até a pessoa mais tolerante com filmes vagabundos.

A direção é do alemão Oliver Hirschbiegel (A Queda – As Últimas Horas de Hitler), mas é difícil saber se a culpa pelo desastre é só dele. Uma produção problemática, Invasores teve um terço das cenas refilmadas pelos irmãos Wachowski, os caras que fizeram aquela abominação que é a série Matrix. Desconfio que o russo caricato, (sotaque de “rrrrrussian preeeesident”, que horror!) que faz um discurso sobre a natureza humana – lembrando o francês de Matrix 2 -, além das já citadas cenas de ação inúteis, sejam coisa deles.
Todas as versões anteriores da história (1956, 1978, 1993) tinham alguma coisa a dizer sobre suas épocas. Fosse sobre guerra fria, ou o fim da revolução sexual, ou paranóia com conspiração militar. Não que isso seja tão importante (o negócio de macarthismo de Siegel, provavelmente é a coisa que menos chamava a atenção em seu filme, se comparado com toda a tensão e o medo dos personagens), mas as atualizações da nova versão não vão além de mostrar Nicole Kidman pesquisando no Google.

Resumindo: Invasores é uma porcaria.

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Uma resposta to “Invasores”

  1. Galeb Says:

    Mas que ela é uma gracinha, ah isso é!

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