Breves perfis de alguns dos pré-candidatos republicanos

Não vejo muita graça nos pré-candidatos democratas. Escrever sobre Hillary e Obama? Argh! De qualquer forma, é uma corrida que parece já ter vencedor (ou vencedora): Hillary Clinton. Só mesmo o Partido Republicano parece despertar um pouco de interesse.

Faltaram Ron Paul, o libertário vaiado no debate, e Mike Huckabee, o ex-governador piadista de orelhas grandes. Os dois parecem carta fora do baralho, pelo menos por enquanto, mas, dependendo do desenrolar das prévias, posso escrever algo sobre os dois. Seguem os “quatro grandes”:

Fred Thompson

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Foi senador pelo Tennessee por dois mandatos, trabalhou como lobista em Whashington (1973-74), é formado em direito e, com apenas 30 anos, integrou o comitê do Senado que investigou as sujeiras do governo Nixon, o “Watergate Committee”. Qualquer um que já assistiu Caçada ao Outubro Vermelho e Duro de matar 2, ou acompanha a série de TV Law & Order, conhece Thompson. O New York Times disse, em um artigo de 1996, que Hollywood, quando precisa de alguém que personifique uma figura de autoridade, encontra em Thompson o ator ideal. Começou na carreira de ator quando resolveram fazer um filme sobre um dos casos em que ele havia sido advogado. Foi chamado para ser consultor, mas terminou sendo convidado a interpretar ele mesmo, e gostou. Thompson se declara um conservador e ponto. Mas já advogou para clínicas de aborto e sua posição sobre o assunto muda a cada dois anos. Quer expulsar os imigrantes ilegais, não quer saber de casamento gay e muito menos de controle das armas. Teve uma carreira sonolenta no Senado e é acusado de ser preguiçoso. Começou com intenção de voto de 27%, mas já perdeu oito pontos.

John McCain

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O homem é um herói. Oriundo de uma família com longa tradição militar, durante a Guerra do Vietnã foi piloto da marinha. Teve seu avião abatido e passou cinco anos e meio como prisioneiro de guerra no infame “Hanói Hilton”, onde sofreu tortura e foi obrigado a confessar crimes de guerra. Ficou um pouco transtornado por causa da experiência. Costuma se referir, em público, aos antigos inimigos como “gooks“, um velho termo depreciativo usado pelos soldados americanos no Vietnã.
Votou a favor da invasão do Iraque mas se converteu num de seus mais ferozes críticos – McCain não critica a invasão em si, mas a forma como ela foi feita. Quer que os EUA sejam duros com o Irã. Em abril, quando perguntado sobre qual seria a solução para a crise nuclear, ele começou a cantar “Bomb bomb bomb, bomb bomb Iran”, uma paródia da música dos Beach Boys, Barbara Ann. É um sujeito bem-humorado, e diverte o público de talk shows fazendo piadas sobre sua experiência no Vietnã. Em 1998, fez piada com a filha de Bill Clinton (“Why is Chelsea Clinton so ugly? Because her father is Janet Reno“) e depois pediu e desculpas. Concorreu contra George W. Bush nas primárias de 2000. Perdeu, mas se tornou uma espécie de “reserva moral” do Partido Republicano. É contra o aborto e defende o livre mercado. É light em relação aos imigrantes e é considerado inimigo das associações que defendem o velho “right to bear arms“. Depois de Hillary Clinton, McCain é o pré-candidato mais conhecido pelo eleitorado.

Mitt Romney

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Romney é membro da Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, aquela religião que acredita que Jesus Cristo viveu no Mississipi, enquanto tocava banjo. Mórmon praticante, ele não bebe nem fuma, e descende de polígamos que procuraram refúgio no México. Ele é rico, muito rico, e está pagando mais da metade dos custos da sua campanha com grana do próprio bolso. Tem boa aparência. Foi o presidente do comitê organizador das Olímpiadas de Salt Lake City – assumiu depois que a imprensa descobriu que os mórmons do estado subornaram membros do comitê olímpico, com favores que iam de grana a prostitutas. Perdeu para Ted Kennedy numa eleição para o Senado, em 1994. Ganhou o governo de Massachusetts em 2002. Como governador, controlou o déficit público e obrigou os habitantes a escolherem entre um plano de saúde particular ou um aumento de impostos. Já foi a favor do aborto e de legislação que regule a união de pessoas do mesmo sexo. Atualmente renega essas posições e se declara 100% conservador. Votou pela Guerra do Iraque e é a favor da pena de morte. Uma história que circulou na imprensa americana sobre Romney é curiosa. Há alguns anos, quando resolveu viajar com a família, Romney observou que não havia espaço para o cahorro da família no carro. Resolveu, então, amarrar o bicho no teto. O pobre animal viajou assim por 12 horas, com vento e sol na cara. Depois de algumas horas, o cachorro, já enjoado, teve uma crise intestinal e defecou no teto do carro – merda escorrendo em todos os vidros. Romney nem se abalou, parou o carro e foi limpar os vidros num posto de gasolina, o animal continuou lá, amarrado.

Rudolph Giuliani

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No Brasil, deve ser o mais conhecido. Giuliani é o sinônimo de Nova York. Quando prefeito da cidade, reduziu drasticamente o crime, sobretudo por causa da “tolerância zero” com relação ao crime, qualquer tipo de crime, e se livrando dos policiais corruptos. Como promotor público, processou vários chefões da máfia, e ganhou bastante notoriedade. Mostrou uma postura firme durante os atentados de 11 de setembro. É um mulherengo – seus casos fora do casamento já renderam até telefilme. É o mais “soft” de todos os candidatos, tendo posições tolerantes com relação ao aborto e casamento gay, e é favorável a um maior controle sobre a venda de armas. Com a intenção de fazer as comunidades de imigrantes cooperarem com a polícia, quando era prefeito, estabeleceu que Nova York seria uma Sanctuary City, um lugar onde os imigrantes não seriam incomodados sobre o status de ilegais. É líder nas pesquisas, mas ainda assim perderia para Hillary Cilnton. Não demonstra preocupação. No último debate desdenhou as pesquisas e declarou que se elas fossem levadas a sério, Al Gore seria o presidente: “I don’t know, it might be a little colder – I’m not sure. But I’m not sure we’d be any better off, right? We’d be in a lot worse shape, I think, with Al Gore. Thank you, Florida. Thank you. You saved us in 2000. That was a big one.

Ah, sim, a foto… Num jantar beneficente em 1997, Giuliani travestiu-se de Marilyn Monroe e cantou Happy Birthday, Mr. President.

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4 Respostas to “Breves perfis de alguns dos pré-candidatos republicanos”

  1. Norman Chap Says:

    Nossa, esses republicanos são muito bons humoristas. Impressionante. A da Barbara Ann e a “it might be a little colder” foram geniais.

  2. Alina Prochmann Says:

    Saudaaaaaaaaaaaaaaade.

  3. Galeb Says:

    Inegável a semelhança do pomposo Mitt Romney com o Collor no início dos anos 90. Tirando o lado religioso e a opção que deu para o povo escolher entre aumento de impostos ou plano de saúde particular.

  4. Jean-Philip Albert Struck Says:

    Galeb, o cara é boa-pinta feito o Collor, mas parece fraco tão fraco como. Norman, achei difícil escolher as piadas do McCain pro perfil, o acervo é vasto.

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