“Are these the Nazis, Walter?”

P.E.P.S.I. : Pay Every Penny to Save Israel

Pay every…”, o significado – que comprando Pepsi você ajuda os sionistas – saiu da boca de um ativista americano em entrevista a um documentário que passou ontem na HBO. Protocols of Zion, do jornalista judeu americano Marc Levin, é uma investigação pessoal sobre a influência que um livrinho escrito há mais de 100 anos ainda exerce na cabeça de muita gente. O livro – que recentemente também foi alvo de uma investigação contada no formato HQ, com o traço do saudoso Will Eisner -, é o mais celébre faux recheado de mentiras e ódio já publicado, Os Protocolos do Sábios do Sião. Também é uma fraude bem lucrativa, que faz a festa de editoras pouco respeitáveis. Inútil discutir o caráter do livro, trata-se do mais puro lixo, e o documentário, ainda bem, nem se preocupou em refutar o conteúdo, apenas deixou os crentes da grande conspiração sionista falarem suas besteiras. Que atirem no próprio pé.

Infelizmente, Protocols of Zion não é um bom documentário. O formato é um tanto confuso, não decidindo se ficava com capítulos que usavam como gancho trechos do livro, ou uma abordagem mais livre, que incluía passeios com o pai do documentarista. De qualquer forma, um dos méritos foi mostrar que as pretensas marchas “pela paz”, na moda com a Guerra do Iraque, camuflam todo tipo de pensamento distorcido, especialmente o anti-semita. A linha de “no blood for oil“, como mostrado, levava facilmente a “os judeus querem a guerra”, e coisas do gênero. Cenas de uma novela egípcia (é, novela), inspirada nos Protocolos, também foram exibidas – sim, não são só os livros brasileiros de má qualidade que são adaptados para a telinha… -, além de entrevistas com pessoas – algumas delas importantes no mundo árabe (um presidente, um reitor de universidade etc) – que acreditam e espalham aquela merda de que nenhum judeu foi trabalhar no WTC no dia 11 de setembro. Aqui em Curitiba, na livraria do Chain, que vende livros que poderiam muito bem se tornar os prediletos de muitos dos freqüentadores de cervejaria na Munique da década de 1920, alguns meses depois do atentado, vi na prateleira um livro específico sobre a questão dos judeus terem matado o serviço no dia do atentado. 11 de Setembro: o Waterloo de Israel, escrito pelo Grande Dragão da Klu Klux Klan, David Duke. Uma piece of junk, mas mostrou que não é só nos países árabes, com populações mais dispostas a acreditar nesse tipo de merda, que a mentira é difundida.

Idiotas que querem acreditar em conspiração sionista, que o homem nunca foi à Lua, que o lobby armamentista apertou o gatilho da arma que matou Kennedy, não são exatamente novidade, nem são novas as mentiras que difundem. Preocupante mesmo é, como já citei acima, que gente não exatamente desimportante acredite nesse tipo de coisa. Ou façam o jogo, como o canal de TV ZDF, equivalente da Globo na Alemanha, que recentemente, depois de exibir um documentário que especulava sobre a possibilidade do 11 de Setembro não ter sido obra de Bin Laden, fez uma pesquisa online com a pergunta “quem cometeu o atentado?”. As opções eram i) EUA, ii) Osama, iii) lobby armamentista, iv) Bush e v) governo americano. Judeus não constavam nas opções, mas o raciocínio estava lá.

Trechos do documentário Protocols of Zion estão disponíveis no YouTube. Link do trecho em que o tal ativista traduz o significado de Pepsi e, no meio de uma série de absurdos, afirma que Nova York é controlada pelos judeus. Sendo o prefeito Bloomberg e seu antecessor, “JEW-Liani”, as provas.

Obs: A Pepsi nem vende seu produto em Israel, mas de fato existe um refrigerante de cola que repassa “pennys” para um povo que vive na região do Oriente Médio. Se você pensou Coca-Cola, errou. É a Mecca-Cola, vendida somente na França, que destina 10% da grana obtida com a venda de cada latinha para as “causas palestinas”. “Não bebam de forma estúpida, bebam engajados!”, declara o site da empresa que engarrafa a bebida.

Eu prefiro Pepsi.

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Uma resposta to ““Are these the Nazis, Walter?””

  1. Galeb Says:

    Zapeando os canais dia desses assisti um único trecho deste documentário. Um afro-americano “acusando” os judeus de NY. Inclusive o ex-prefeito JEW-Liani. “It’s a fucking jew”.

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